Carbono Oculto Turbina Vibra: Recorde de postos Petrobras e virada estratégica impulsionam lucro da empresa

Vibra Energia bate recorde de postos independentes aderindo à sua rede em 2025, impulsionada pela Operação Carbono Oculto e volatilidade do mercado.

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, registrou em 2025 o maior número de novos postos embandeirados dos últimos anos. Esse movimento expressivo foi impulsionado por mudanças no ambiente regulatório do setor de combustíveis, com destaque para a Operação Carbono Oculto, que intensificou o combate a fraudes tributárias, adulteração de combustíveis e empresas de fachada no mercado.

A companhia avalia que essa tendência pode ganhar ainda mais força este ano, diante da instabilidade recente nos preços do petróleo e do diesel, provocada pelo conflito no Irã e pelo descompasso entre os preços domésticos e o mercado internacional. O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, destacou o aumento do interesse de postos independentes em firmar contratos de fornecimento com a distribuidora.

Esse cenário, conforme informação divulgada pela Vibra, explica a preferência de muitos operadores de postos de bandeira branca por contratos mais estáveis, buscando segurança em um ambiente de maior volatilidade. A estratégia da Vibra visa fortalecer sua rede e reduzir a dependência de vendas no mercado spot, priorizando margem e contratos mais seguros em vez de competir agressivamente por participação de mercado. Conforme a Vibra, em 2025, a companhia incorporou 404 novos postos à rede, o maior número de embandeiramentos dos últimos cinco anos, elevando a base para 7.456 unidades em todo o país.

Combate a fraudes e instabilidade elevam interesse em contratos com a Vibra

A Operação Carbono Oculto, que intensificou a fiscalização contra irregularidades no mercado de combustíveis, tem sido um fator determinante para a atração de novos postos. A percepção de um ambiente mais regulado e com menor concorrência desleal leva os postos independentes, também conhecidos como bandeira branca, a buscarem a segurança e a credibilidade de marcas estabelecidas.

A volatilidade nos preços internacionais do petróleo, intensificada por conflitos geopolíticos, também contribui para essa busca por estabilidade. Postos que antes operavam sem exclusividade com uma distribuidora agora buscam contratos de fornecimento mais longos e previsíveis com empresas como a Vibra, que detém a licença da marca Petrobras até junho de 2029.

Vibra prioriza rentabilidade e estratégia de margem em vez de volume

Diante de um mercado com excesso de combustível em certos períodos, a Vibra optou por preservar sua rentabilidade em vez de disputar volumes com distribuidores menores dispostos a operar com margens menores. Essa decisão reflete uma mudança gradual no posicionamento comercial da empresa, que passou a priorizar a margem e a estabilidade dos contratos.

No setor de distribuição de combustíveis, o indicador Ebitda por metro cúbico é crucial, medindo o resultado gerado por cada unidade de combustível vendida. A Vibra tem focado em ampliar esse indicador, buscando manter sua liderança de mercado, o que tem sido favorecido pelas mudanças no ambiente competitivo, incluindo o combate às fraudes que geravam perdas bilionárias anuais.

Resultados financeiros e otimismo para o futuro

No acumulado de 2025, a participação de mercado da Vibra cresceu 0,8 ponto percentual, alcançando 24,5% no quarto trimestre, com um volume total comercializado de 35,9 milhões de metros cúbicos. A receita líquida ajustada da empresa no quarto trimestre de 2025 foi de R$ 50,5 bilhões, um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2024.

O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 2,62 bilhões, com avanço de 27%, enquanto o lucro líquido atingiu R$ 615 milhões, crescimento de 20%. No acumulado de 2025, o Ebitda ajustado alcançou R$ 8,2 bilhões e o lucro líquido R$ 3,3 bilhões, alta de 12% em relação a 2024. A geração de caixa da companhia somou R$ 5,5 bilhões no ano.

Fim da joint venture Evolua e foco no negócio de energia elétrica

Outro fator que pode ampliar a competitividade da Vibra é o fim da joint venture Evolua com a Copersucar, previsto para o final de março. Com a dissolução da parceria, a Vibra passará a negociar etanol diretamente no mercado, o que deve proporcionar maior flexibilidade na gestão do suprimento.

A diretoria da Vibra também afirmou que segue trabalhando para melhorar o desempenho da Comerc, sua plataforma de comercialização de energia elétrica. Embora o negócio elétrico exija investimentos elevados e ciclos de retorno mais longos, a prioridade é melhorar a eficiência da operação e alcançar o equilíbrio na geração de caixa da Comerc nos próximos anos, sem descartar a venda da comercializadora.