Porto Seguros e Oncoclínicas: Acordo Bilionário Cria Nova Empresa com Foco em Clínicas e Dívida Menor

Porto Seguros e Oncoclínicas desenham acordo para nova empresa com foco em clínicas oncológicas e potencial redução de dívidas

Um memorando de entendimentos assinado entre Porto Seguros e Oncoclínicas indica um caminho que se assemelha mais a uma venda do principal negócio da rede de clínicas do que a uma simples joint venture. O acordo prevê a criação de uma nova empresa, na qual a Porto será acionista majoritária, herdando as 150 clínicas da Oncoclínicas.

A Porto busca consolidar sua atuação na área de saúde, especialmente no tratamento oncológico, onde já é uma parceira importante da Oncoclínicas. A empresa de seguros, que desembolsa cerca de R$ 500 milhões anualmente para a rede, visa custos mais competitivos para sua base de clientes da Porto Saúde, evitando a associação direta com o CNPJ da Oncoclínicas, que acumula dívidas consideráveis.

Essa movimentação estratégica visa proteger a Porto de problemas financeiros e, ao mesmo tempo, garantir o acesso a uma rede de clínicas oncológicas de ponta. A Oncoclínicas, por sua vez, manteria os hospitais e sua unidade na Arábia Saudita, negócios que atualmente consomem mais recursos do que geram caixa, conforme apuração do InvestNews.

Porto Seguros injetará R$ 1 bilhão na nova estrutura

O plano estabelece que a Porto Seguros realizará um aporte de R$ 500 milhões em ações ordinárias na nova companhia, garantindo assim o controle do capital votante. Adicionalmente, a Porto poderá subscrever R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações, com remuneração atrelada ao CDI e conversão em 48 meses.

Essa estrutura visa separar os ativos mais rentáveis da Oncoclínicas, como as clínicas oncológicas, dos negócios que apresentam maior dificuldade financeira. A Porto tem interesse em consolidar sua posição no mercado oncológico, onde a Oncoclínicas detém cerca de 18% dos oncologistas do país, uma especialidade médica de alta demanda e crescimento projetado.

Oncoclínicas busca reestruturação financeira em meio a R$ 4 bilhões em dívidas

A Oncoclínicas enfrenta um cenário financeiro desafiador, com dívidas que somam aproximadamente R$ 4 bilhões. A empresa ainda lida com os desdobramentos de sua relação com o Banco Master, que chegou a deter 15% da companhia e onde a Oncoclínicas mantinha investimentos significativos. Essa situação gerou embates com o BRB por ações anteriormente pertencentes ao banqueiro.

A saída da CFO Camille Faria, que recentemente assumiu a posição com a missão de reestruturar as finanças da empresa, levanta questionamentos sobre a clareza do acordo. Segundo apurou o InvestNews, a falta de detalhamento sobre a transferência de parte do endividamento para a nova empresa foi um fator na decisão da executiva.

Especialistas avaliam os riscos e benefícios do acordo

Analistas de mercado veem o acordo com cautela. Um gestor com participação na Porto Seguros expressou dúvidas sobre a concretização do negócio, citando a necessidade de atender a diversas condições. A expectativa é que a transação ocorra apenas se a Oncoclínicas apresentar uma estrutura financeira mais limpa, com os bons ativos concentrados na nova empresa.

A Porto Seguros, ao focar nas clínicas, evita a dependência de outras redes como a Rede D’Or, que, segundo fontes, possui custos mais elevados e atua como concorrente no segmento de planos de saúde. A montagem de uma rede de clínicas oncológicas equivalente do zero seria extremamente custosa, justificando o interesse da Porto em ativos já estabelecidos.

Detalhamento do acordo ainda gera incertezas

O memorando de entendimentos prevê um período de 30 dias de exclusividade para negociações. Um ponto crucial de insegurança para investidores é a transferência de um montante ainda não especificado do endividamento da Oncoclínicas para a nova empresa. Há expectativas de que credores possam migrar parte da dívida, mas essa informação não foi detalhada no fato relevante divulgado pela Oncoclínicas.

A Oncoclínicas, listada na B3, poderá ficar com uma parcela relevante do passivo, apesar de concentrar apenas os negócios que consomem caixa, como os hospitais. A clareza sobre a divisão da dívida e a estrutura final da nova companhia serão determinantes para o sucesso e a confiança dos investidores no futuro da Oncoclínicas e da nova empresa formada com a Porto Seguros.