Unilever considera separação de ativos de alimentos em movimento estratégico
A Unilever, conhecida mundialmente por seus produtos alimentícios como a maionese Hellmann’s e os cubos de caldo Knorr, está em fase inicial de avaliação para uma possível separação de seus ativos de alimentos. A iniciativa visa simplificar o vasto portfólio da empresa, que busca se concentrar em áreas de maior crescimento.
Fontes próximas ao assunto indicam que a companhia anglo-holandesa já conversa com assessores para analisar diversas opções. Entre elas, está a cisão integral do negócio de alimentos ou a manutenção de algumas marcas principais, enquanto o restante seria desmembrado. Essa análise, no entanto, ainda está em estágio preliminar e pode não resultar em nenhuma operação concreta antes de 2027.
Uma potencial transação avaliaria o negócio de alimentos da Unilever em dezenas de bilhões de dólares. Contudo, a empresa ainda não tomou decisões definitivas e pode optar por manter sua estrutura atual ou explorar outras alternativas. As informações foram divulgadas por pessoas familiarizadas com o processo, que pediram anonimato por se tratar de dados privados.
Reestruturação sob Fernando Fernandez
Sob a liderança do CEO Fernando Fernandez, a Unilever tem direcionado seus esforços para se transformar de um grupo focado em alimentos para uma empresa com maior ênfase em beleza, cuidados pessoais e bem-estar. Essa mudança de estratégia já deu frutos no ano passado, com a separação da divisão de sorvetes, que inclui a marca Magnum.
A empresa já vinha se desfazendo de ativos alimentícios na última década. Exemplos incluem a divisão global de pastas para barrar, que abrigava a marca “Não Acredito Que Não é Manteiga!”, a marca de lanches Graze e a produtora de carnes vegetais The Vegetarian Butcher. Atualmente, ainda há entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,65 bilhão em marcas locais de alimentos para venda.
Mercado de Alimentos em Desafio
Grandes players do setor alimentício, como a Unilever e a rival Nestlé, enfrentam dificuldades para impulsionar o crescimento. A pressão financeira sobre os consumidores tem levado a uma redução nos gastos e à migração para marcas mais baratas. Além disso, a crescente popularidade de medicamentos para perda de peso representa um novo desafio, impactando o consumo de alimentos.
Em contrapartida, o segmento de beleza tem se mostrado um importante motor de crescimento para multinacionais. Consumidores de diversas faixas etárias têm investido mais em rotinas de cuidados com a pele e fragrâncias. Fernandez tem destacado o foco em marcas como o sabonete Dove e a bebida funcional Liquid IV como parte de seu plano de reestruturação.
Marcas Chave e Futuro Incerto
As marcas Hellmann’s e Knorr são pilares do negócio de alimentos da Unilever, respondendo por cerca de 60% das vendas. Fernandez projeta que essa fatia aumente para 70% a 75% após a venda das marcas locais remanescentes. Em dezembro, o executivo não descartou a possibilidade de vender todo o negócio de alimentos, apesar de o setor vir superando o desempenho geral da empresa.
As ações da Unilever, com valor de mercado aproximado de US$ 142 bilhões, têm mostrado pouca variação na bolsa de Londres neste ano. O futuro exato do negócio de alimentos da companhia permanece incerto, mas a avaliação de uma possível separação sinaliza uma busca por maior agilidade e foco estratégico em mercados promissores.
