Unilever Planeja Divisão da Área de Alimentos para Focar em Beleza e Bem-Estar, Mirando Crescimento Acelerado

Unilever considera cisão da divisão de alimentos para apostar em beleza e bem-estar, seguindo tendência de mercado

A Unilever, gigante multinacional de bens de consumo, está em fase inicial de avaliação para uma separação total ou parcial de sua divisão de alimentos. A informação, divulgada pela Bloomberg, aponta que o CEO Fernando Fernandez busca direcionar a empresa para áreas de crescimento mais rápido, como beleza e cuidados pessoais, um movimento que pode marcar o fim de sua atuação centenária no setor alimentício.

Essa potencial reestruturação visa simplificar o portfólio da Unilever, permitindo maior foco em marcas de alto desempenho e liberando capital para investimentos estratégicos. A estratégia se alinha com a visão de Fernandez, que vê beleza, cuidados pessoais e bem-estar como pilares fundamentais para o futuro da companhia, com o objetivo de que essas categorias representem dois terços do faturamento no médio prazo.

O mercado de beleza e bem-estar tem se mostrado cada vez mais atrativo para grandes corporações, impulsionado pela busca dos consumidores por produtos que promovam saúde e juventude. Em contrapartida, o setor de alimentos enfrenta desafios como a ascensão de medicamentos para perda de peso e questões de acessibilidade em mercados chave, como os Estados Unidos.

Segundo a Bloomberg, a Unilever está consultando especialistas para analisar as opções de desmembramento de seu negócio de alimentos. Essa decisão, caso concretizada, representaria uma mudança significativa para a empresa, que tem suas raízes na fusão entre uma produtora de sabonetes e uma de margarinas em 1929. Ao longo dos anos, a Unilever já se desfez de partes de seu negócio de alimentos, como a divisão de spreads em 2017, a de chás em 2021 e a de sorvetes no ano passado.

Foco estratégico em beleza e cuidados pessoais

Fernando Fernandez, CEO da Unilever há um ano, tem sido explícito sobre sua visão para o futuro da empresa. Ele pretende que as categorias de beleza, cuidados pessoais e bem-estar respondam por dois terços da receita da Unilever no médio prazo, um aumento considerável em relação aos cerca de 50% atuais. Marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica são apontadas como centrais nessa estratégia.

A urbanização, o aumento da riqueza global, a maior participação feminina no mercado de trabalho e a adoção de estilos de vida mais saudáveis são fatores que impulsionam o crescimento dessas categorias, segundo Fernandez. Ele destacou essas tendências em sua participação na conferência Consumer Analyst Group of New York, ressaltando o potencial de expansão.

Desafios e oportunidades no setor alimentício

Apesar do movimento em direção à beleza e bem-estar, a Unilever ainda mantém marcas fortes em seu portfólio de alimentos, como Hellmann’s e Knorr, que respondem por uma parcela significativa das vendas. No entanto, a empresa enfrenta concorrência de gigantes como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo no setor alimentício.

Analistas como Warren Ackerman, do Barclays, sugerem que o momento para um desmembramento completo pode não ser ideal, defendendo o fortalecimento das marcas de alimentos existentes e a conclusão de processos de reestruturação. Contudo, Ackerman reconhece o potencial de longo prazo em reduzir ou separar o negócio de alimentos, indicando que a questão não é se, mas quando essa mudança ocorrerá.

Potencial de valorização e simplificação do portfólio

A separação da divisão de alimentos poderia simplificar a estrutura da Unilever, permitindo que a gestão se concentre em impulsionar o crescimento de suas marcas de maior potencial. Além disso, a operação poderia gerar fundos para reinvestimento e distribuição aos acionistas, conforme apontam analistas como David Hayes, da Jefferies.

Joachim Klement, analista da Panmure Liberum, complementa que a divisão de alimentos da Unilever tem enfrentado mais dificuldades em se adaptar às mudanças de consumo em comparação com concorrentes como Nestlé e Danone. Uma venda estratégica poderia trazer o foco tão necessário para a gestão da empresa, destravando valor para os acionistas.

Histórico de desinvestimentos e o futuro das marcas de alimentos

A Unilever já demonstrou sua capacidade de reestruturar seu portfólio com a venda de diversos negócios alimentícios. Em 2017, a empresa se desfez de sua unidade de spreads, incluindo marcas como Flora. Em 2022, a maior parte de sua divisão de chás, como Lipton e PG Tips, foi vendida. A separação da unidade de sorvetes, com marcas como Ben & Jerry’s, também foi concluída.

As marcas remanescentes, como Hellmann’s e Knorr, representam um desafio estratégico. Hellmann’s possui forte presença em mercados como EUA e Brasil, enquanto Knorr tem enfrentado dificuldades, especialmente na Europa. A decisão sobre o futuro dessas marcas, bem como de outras operações alimentícias locais, será crucial para definir a nova identidade da Unilever como uma potência em beleza e bem-estar.