Minerva Foods enfrenta 2026 com cautela após ano de resultados históricos, apostando em diversificação para mitigar pressões de custos e mercado.
A Minerva Foods, gigante sul-americana na exportação de carne bovina, encerrou o ano de 2025 com feitos notáveis, mas já sinaliza ao mercado um cenário de rentabilidade mais desafiador para 2026. A companhia, controlada pela família Vilela de Queiroz, reverteu o prejuízo anterior, alcançando um lucro líquido expressivo de R$ 848 milhões e um resultado operacional (Ebitda) recorde de R$ 4,8 bilhões, um aumento de 54,1% em relação ao ano anterior.
No entanto, a diretoria da empresa projeta para 2026 um período de margens mais estreitas. A pressão virá principalmente do aumento nos custos de frete, energia e, de forma significativa, da valorização do preço do gado. Essa combinação de fatores deve impactar negativamente a lucratividade em comparação com o desempenho de 2025, conforme adiantou o CFO Edison Ticle em teleconferência com analistas.
O ciclo pecuário brasileiro entrou em uma fase de oferta mais restrita, com a retenção de fêmeas e uma menor disponibilidade de animais para o abate. Essa dinâmica tende a manter o preço da arroba em patamares elevados, superando a inflação. A situação global também contribui para esse cenário, com uma oferta de carne bovina menor, especialmente nos Estados Unidos, que pode retirar até 1 milhão de toneladas do mercado internacional.
Impacto nas Ações e Estratégias da Minerva
A perspectiva de margens mais apertadas em 2026 já se refletiu no mercado financeiro, com as ações da Minerva Foods registrando quedas na B3, liderando as baixas do Ibovespa. Por volta das 11h45, o papel da empresa caía 8,84%, negociado a R$ 3,92.
Apesar do cenário desafiador, a Minerva Foods mantém uma projeção otimista para o crescimento da receita em 2026, com expectativa de até 10%, impulsionado principalmente pelo repasse de preços no mercado externo. A empresa considera o Ebitda de 2025 como um “piso” para os resultados deste ano.
Diversificação Geográfica como Pilar Estratégico
Para alcançar seus objetivos, a Minerva aposta fortemente na **diversificação geográfica**. Essa estratégia permite que a empresa redirecione fluxos comerciais em resposta a mudanças regulatórias, como as cotas de importação da China, e a restrições em mercados específicos. Atualmente, aproximadamente metade da operação da Minerva está fora do Brasil, o que amplia sua capacidade de arbitragem entre diferentes países e destinos, segundo o CEO Fernando Galletti de Queiroz.
O mercado local, por outro lado, é visto como mais desafiador. O consumo está pressionado, e há uma migração dos consumidores para proteínas mais acessíveis, como frango e suíno. Essa dinâmica exige adaptação e flexibilidade por parte da companhia.
Foco na Redução do Endividamento Pós-Aquisições
Após a conclusão bem-sucedida da integração dos ativos adquiridos da Marfrig, processo que foi fundamental para o salto de receita e rentabilidade em 2025, a Minerva volta suas atenções para a **redução do seu endividamento**. A meta estabelecida para 2026 é diminuir a relação entre dívida líquida e Ebitda para cerca de 2 vezes, um avanço em relação aos 2,6 vezes registrados ao final do ano passado.
Essa gestão financeira visa fortalecer a estrutura de capital da empresa, preparando-a para os desafios e oportunidades que se apresentarão nos próximos anos, garantindo sustentabilidade e crescimento a longo prazo no competitivo mercado de carnes.
