CSN: Gigante do aço capta até US$ 1,4 bilhão em novo empréstimo para reestruturar dívidas e mira desalavancagem histórica

CSN busca novo fôlego financeiro com empréstimo milionário para alongar dívidas e avançar em plano de desalavancagem.

A CSN, um dos principais nomes da indústria siderúrgica brasileira, deu um passo significativo em sua estratégia de reorganização financeira. A companhia anunciou a assinatura de uma carta-compromisso para um novo empréstimo sindicalizado que pode chegar a até US$ 1,4 bilhão, com o objetivo principal de **alongar o perfil de suas dívidas**.

Este movimento faz parte de um plano mais amplo da empresa, que visa reduzir sua alavancagem e garantir maior estabilidade financeira a longo prazo. A meta é clara: diminuir a relação entre dívida líquida e o resultado operacional (Ebitda), uma métrica crucial para a saúde financeira de qualquer empresa.

A operação, que conta com a participação de grandes bancos internacionais e locais, demonstra a confiança do mercado na capacidade da CSN de gerenciar seus compromissos. A iniciativa é vista como um componente chave para a sustentabilidade e o crescimento futuro da companhia, conforme divulgado pela própria empresa.

Detalhes do Novo Financiamento e Impacto na Dívida da CSN

O novo empréstimo, que terá um prazo de vencimento de cinco anos e juros iniciais de SOFR mais 6% ao ano, é estruturado para **trocar dívidas de curto prazo por obrigações com vencimento mais estendido**. Essa estratégia é fundamental, considerando que, ao final de 2025, a CSN possuía uma dívida líquida de R$ 41,2 bilhões, com uma alavancagem de 3,47 vezes o Ebitda.

Um ponto de atenção era a necessidade de cobrir vencimentos consideráveis, como os R$ 9,4 bilhões que venceriam ao longo de 2024, incluindo um bond de cerca de R$ 1 bilhão com vencimento no final de abril. O recém-anunciado financiamento visa aliviar essa pressão, permitindo que a empresa administre seus fluxos de caixa de maneira mais eficaz.

Estratégia de Desinvestimento e Metas de Alavancagem Ambiciosas

O empréstimo recém-contratado está intrinsecamente ligado a uma estratégia mais abrangente anunciada pela CSN em janeiro. Na ocasião, a empresa revelou um plano para **levantar até R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos estratégicos**. O objetivo principal é domar, de forma definitiva, a relação dívida líquida/Ebitda.

Em teleconferência com analistas, Benjamin Steinbruch, comandante do grupo, destacou o compromisso da empresa com essa desalavancagem, afirmando que “nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”. A CSN busca antecipar parte dos recursos esperados com esses desinvestimentos, utilizando o novo crédito para aliviar vencimentos de curto e médio prazo.

Planos Futuros: Venda de Ativos e Redução da Alavancagem

A meta da CSN é ambiciosa: chegar ao final de 2026 com uma alavancagem entre 2 vezes e 1,8 vez, considerando também o crescimento operacional. Em um horizonte de oito anos, o objetivo é ainda mais audacioso, buscando atingir a relação de **1 vez dívida líquida/Ebitda**.

Para alcançar esses patamares, a CSN planeja vender o controle da **CSN Cimentos** e negociar uma participação minoritária, porém relevante, na unidade de Infraestrutura. A expectativa é que acordos vinculantes para esses ativos sejam assinados entre o terceiro e o quarto trimestres deste ano. Relatos recentes, como o da Bloomberg, indicam que a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, estaria negociando a compra do controle do negócio de cimentos e também interessada em uma fatia da CSN Mineração.

Contexto de Vendas e Parcerias Estratégicas

Essa movimentação financeira e estratégica ocorre em um contexto onde a CSN já tem realizado importantes transações. No final de 2024, o grupo vendeu 9,26% de sua subsidiária CSN Mineração para o conglomerado japonês Itochu, que desembolsou cerca de R$ 4,4 bilhões pela participação. Essas ações demonstram a determinação da empresa em reestruturar seu balanço e fortalecer sua posição no mercado.