BHP prevê aperto no mercado de potássio até 2035 e intensifica busca por contratos no Brasil
O futuro da agricultura brasileira pode enfrentar um desafio significativo, com a BHP, uma das maiores mineradoras do mundo, projetando uma **escassez global de potássio** para os próximos anos. O nutriente, fundamental para o desenvolvimento das plantas e a produtividade das lavouras, pode se tornar um gargalo, especialmente para o Brasil, que depende quase integralmente de importações.
A mineradora está no Brasil com o objetivo de fechar contratos de longo prazo com compradores locais. A iniciativa visa garantir o escoamento da produção de sua nova mina de potássio em Jansen, no Canadá, que tem previsão de início de operações em meados de 2027. A empresa vê o potássio como um “minério de ferro do futuro”, sinalizando a importância estratégica do nutriente para seus negócios.
Este aviso da BHP surge em um momento de **extrema vulnerabilidade para o comércio global de fertilizantes**. A guerra no Irã já afetou rotas marítimas cruciais, elevando os custos e a incerteza no abastecimento. Para o Brasil, a situação é particularmente delicada, pois o país é um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes e tem uma dependência altíssima de importações, conforme divulgado pela própria mineradora.
Potássio: um nutriente vital sob pressão internacional
O potássio é um dos três nutrientes essenciais para a agricultura moderna, ao lado do nitrogênio e do fósforo. Ele desempenha um papel crucial na absorção de água pelas plantas, na resistência a pragas e doenças, e na qualidade final da colheita. Sem ele, o rendimento das lavouras pode cair drasticamente, impactando a segurança alimentar e a economia agrícola.
A BHP estima que a oferta global de potássio será insuficiente para atender à demanda até 2035. A nova mina em Jansen, Canadá, é um projeto ambicioso, com um custo estimado de US$ 8,4 bilhões apenas para a primeira fase. A expectativa é que a operação atinja 4,1 milhões de toneladas por ano em 2029, com potencial para dobrar a produção na segunda fase.
Brasil, um gigante dependente de fertilizantes
O Brasil é um dos maiores mercados para o potássio, respondendo por cerca de 20% da demanda global. No entanto, a produção nacional é mínima, com uma dependência de importações que supera 95%. Essa fragilidade se estende a outros fertilizantes, com o país importando mais de 85% do total consumido, um cenário que o Plano Nacional de Fertilizantes busca reverter, mas com metas de longo prazo.
A guerra no Irã e as interrupções nas rotas marítimas, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde transita um terço do comércio global de fertilizantes, intensificam a preocupação. Embora o potássio não seja transportado em grandes volumes pelo Ormuz para o Brasil, o efeito cascata nos preços globais afeta todos os nutrientes, elevando os custos de produção para os agricultores brasileiros em um período crítico de planejamento de safra.
Projetos nacionais ainda distantes de suprir a demanda
Iniciativas para aumentar a produção nacional de potássio, como a mina de Autazes no Amazonas, da Brazil Potash, com investimento previsto de US$ 2,5 bilhões e capacidade para 2,4 milhões de toneladas anuais, ainda estão em fase inicial. A previsão é que a produção só comece em 2030, o que significa que a dependência externa de potássio continuará elevada no curto e médio prazo.
A busca da BHP por contratos de longo prazo no Brasil reflete a urgência em garantir mercados para sua nova produção e, ao mesmo tempo, sinaliza a importância estratégica do país como consumidor. A empresa vê o potássio como um ativo promissor, comparando seu potencial ao do minério de ferro, que impulsionou seu crescimento globalmente.
