JBS registra receita recorde em 2025, mas enfrenta desafios com a escassez de gado nos EUA e greve em planta chave, apertando margens operacionais.
A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, divulgou seus resultados financeiros para o quarto trimestre de 2025, revelando um expressivo **crescimento na receita**, mas também indicando uma **pressão contínua sobre suas margens de lucro**. O cenário desafiador é especialmente acentuado na operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da companhia.
Entre outubro e dezembro de 2025, a empresa registrou **vendas totais de US$ 23,1 bilhões**, o que representa um aumento de 15% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, o lucro líquido permaneceu praticamente estável, atingindo US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional ajustado (Ebitda) apresentou uma queda de 7%, refletindo o **aumento dos custos ao longo da cadeia produtiva**.
Essa performance mista, conforme informação divulgada, está diretamente ligada à **escassez de gado nos Estados Unidos**, onde o rebanho se encontra no menor nível em mais de sete décadas. Essa oferta restrita tem sustentado preços elevados do gado, que sobem em um ritmo mais acelerado do que o valor da carne comercializada. Na prática, a conta não fecha para os frigoríficos, resultando em margens cada vez menores, mesmo diante de uma demanda ainda robusta.
Cenário desafiador nos EUA impacta rentabilidade da JBS
A escassez de gado nos Estados Unidos é um fator crítico para a JBS. Com o rebanho em declínio acentuado, os **custos com a matéria-prima disparam**, superando o aumento que pode ser repassado no preço final da carne. Isso leva a uma **compressão das margens** em uma das operações mais importantes da empresa. A situação foi agravada recentemente por uma **greve na principal planta da JBS em Greeley, no Colorado**, adicionando mais um obstáculo à produção e rentabilidade.
Receita recorde em 2025, mas rentabilidade sob pressão
Apesar dos desafios pontuais, a JBS consolidou um **ano de recordes em receita em 2025**. No acumulado do ano, a companhia alcançou **vendas históricas de US$ 86,2 bilhões**, um avanço de 12% sobre o ano anterior. O lucro líquido também apresentou crescimento, com alta de 15%, totalizando US$ 2 bilhões. Contudo, a **rentabilidade geral do ano foi afetada**, com o Ebitda ajustado caindo 5%, evidenciando a dificuldade em manter as margens em um ambiente de custos elevados.
Diversificação e mercados internacionais impulsionam resultados
Nem todas as operações da JBS seguiram a mesma tendência de pressão nas margens. Unidades de negócios como a **Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália** apresentaram resultados mais positivos. Essas divisões contribuíram para sustentar o desempenho geral da empresa através do foco em **produtos de maior valor agregado**, ganhos de **eficiência operacional** e a expansão em diversos mercados internacionais, demonstrando a força do portfólio diversificado da companhia.
Operação no Brasil mostra força, mas com desafios de custo
No Brasil, a operação da JBS também demonstrou **forte crescimento no quarto trimestre de 2025**, com um **aumento de 26% na receita** e recordes em volumes de abate. A demanda externa e os preços mais altos foram fatores importantes nesse avanço. No entanto, assim como nos Estados Unidos, o **aumento no custo do gado no mercado brasileiro** também limitou os ganhos de margem no período, indicando um desafio comum a ambas as geografias.
Estrutura financeira sólida e controle da alavancagem
Apesar das pressões operacionais, a JBS manteve sua **estrutura financeira sob controle**. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, encerrou o ano em 2,4 vezes, um patamar considerado dentro da faixa alvo da empresa. O retorno sobre o patrimônio líquido manteve-se robusto, situando-se em torno de 25%, demonstrando a capacidade da companhia em gerar valor para seus acionistas mesmo em um cenário desafiador.
