Hapvida em Crise: Venda de Ativos no Sul e Mudanças no Conselho Após Pressão da Squadra

Hapvida enfrenta turbulência: venda da operação Sul e renovação no conselho sob pressão da Squadra Investimentos

A Hapvida, uma das maiores operadoras de saúde do Brasil, está passando por um momento de reestruturação significativa. Pressionada por uma expressiva queda no valor de suas ações e por críticas públicas da gestora Squadra Investimentos, a companhia decidiu colocar à venda sua operação na Região Sul.

Paralelamente, a Hapvida reapresentou o boletim de voto para a assembleia de acionistas, incluindo os nomes indicados pela Squadra para disputar assentos no conselho de administração. Essas decisões ocorrem em meio a um cenário de desvalorização de seus papéis e questionamentos sobre a gestão.

Os movimentos recentes evidenciam a dimensão da crise que a empresa atravessa, com a venda de ativos e a abertura para novas lideranças no conselho, conforme apuração do Pipeline, do Valor Econômico.

Venda de Ativos no Sul: Uma Jogada Estratégica em Meio à Pressão

A Hapvida anunciou a venda de sua operação na Região Sul, um movimento que busca reequilibrar suas finanças e concentrar esforços em áreas mais rentáveis. Essa estrutura inclui oito hospitais, 21 clínicas e atende cerca de 490 mil beneficiários, representando um investimento aproximado de R$ 4 bilhões, incluindo as aquisições da Clinipam e do Centro Clínico Gaúcho.

A decisão de vender esses ativos, que formariam a nona maior operadora do mercado brasileiro se segregados, já estava em discussão no conselho, mas a pressão da Squadra Investimentos, que detém 6,98% das ações, acelerou o processo. A venda era uma das recomendações explícitas da carta enviada pela Squadra em 1º de abril, que criticou severamente a gestão da Hapvida.

Squadra Investimentos Expõe Fragilidades da Gestão

Em sua carta pública, a Squadra Investimentos classificou a trajetória da Hapvida desde o IPO em 2018 como uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro. Os números apresentados pela gestora são contundentes: desde a estreia na B3, as ações da Hapvida acumulam queda de 85%, enquanto o Ibovespa subiu 120% no mesmo período.

A fusão com a NotreDame Intermédica, anunciada em 2021, resultou em uma destruição de cerca de R$ 80 bilhões em valor de mercado, segundo a gestora. A Squadra também apontou a perda de 238 mil beneficiários em 2025, o não reconhecimento de perda de valor contábil, o aumento da alavancagem e a remuneração considerada excessiva da administração.

Mudanças no Conselho e na Liderança da Hapvida

Em resposta às críticas e à pressão, a Hapvida incluiu três nomes indicados pela Squadra no boletim de voto para a assembleia de acionistas: Guilherme Aché, Eduardo Parente e Tania Sztamfater Chocolat. Essa inclusão atende a uma solicitação da gestora, que defendia o voto múltiplo para a eleição do conselho.

Além das mudanças no conselho, Jorge Pinheiro, diretor-presidente por 27 anos e filho do fundador, anunciou sua saída do cargo. Ele será substituído por Luccas Adib, atual vice-presidente de finanças, relações com investidores e tecnologia. Pinheiro reconheceu que os resultados recentes ficaram aquém do potencial da empresa e seguirá como membro do conselho.

Família Pinheiro Consolida Controle em Meio à Reestruturação

Em um movimento paralelo, a família Pinheiro, controladora da Hapvida, aumentou sua participação no capital de 41,5% para 51,3%, adquirindo 47 milhões de ações. Essa ação visa consolidar o controle da empresa e tentar conter a desvalorização dos papéis, embora não haja intenção de fechar o capital.

A Hapvida, atualmente avaliada em cerca de R$ 5,2 bilhões, viu suas ações acumularem queda de 67% nos últimos 12 meses, mas apresentaram alta de 9,06% em 8 de maio, impulsionadas pelas notícias sobre as mudanças em curso na companhia.