Raízen em Reta Final: Acordo com Credores Pode Ser Anunciado Esta Semana para Evitar Recuperação Judicial

Raízen perto de acordo com credores para recuperação extrajudicial

A Raízen, uma das maiores empresas de energia do Brasil, está em fase avançada para fechar um acordo com seus credores, em um movimento que pode selar uma recuperação extrajudicial e evitar um processo de recuperação judicial. Fontes próximas às negociações indicam que o acordo com os bondholders, detentores de títulos da companhia, pode ser anunciado já nesta semana.

As conversas com os bancos têm se intensificado nas últimas semanas. Tanto a Raízen quanto seus credores têm reduzido posições de hedge que haviam sido montadas para honrar dívidas denominadas em dólar, um sinal de que as negociações caminham para um desfecho positivo. A expectativa é de uma reestruturação significativa da dívida da empresa.

A Cosan, controladora da Raízen em joint venture com a Shell, informou que não está mais em negociações diretas para resgatar a companhia. O foco das discussões agora se volta para a Shell e os credores, indicando uma mudança na dinâmica do processo de reestruturação. Conforme divulgado pelo Valor Econômico, a Raízen já havia comunicado na semana passada que poderia entrar em um processo de reestruturação extrajudicial para solucionar seus problemas de endividamento.

Shell e Cosan Sinalizam Injeção de Capital para Salvar Raízen

Em um esforço conjunto para estabilizar a situação financeira da Raízen, a Shell e o fundador da Cosan, Rubens Ometto, concordaram em injetar R$ 4 bilhões na empresa. Essa injeção de capital faz parte de uma proposta mais ampla de reestruturação da dívida, que pode incluir a conversão de parte do débito em ações, a extensão dos prazos de vencimento do saldo remanescente e a venda de ativos considerados não estratégicos pela companhia.

Reviravolta Dramática para a Gigante dos Biocombustíveis

Essa negociação representa uma virada significativa para a Raízen, que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil. Esforços anteriores para fortalecer a empresa enfrentaram obstáculos quando a Cosan e a Shell não conseguiram chegar a um consenso sobre o montante exato de capital a ser aportado. A saída de fundos de private equity administrados pelo BTG Pactual das negociações, após discordâncias com os termos propostos pela Shell, também foi um ponto crucial.

Mercado Reage com Desmonte de Hedges e Queda de Títulos

A situação da Raízen tem gerado ondas no mercado financeiro. Desde a semana passada, operadores de câmbio e gestores de recursos relatam um movimento expressivo de desmonte de hedges ligados a operações da empresa. Essa movimentação afetou tanto o dólar à vista quanto o chamado cupom cambial, uma importante referência para o custo de proteção contra a exposição à moeda americana. Essa pressão se intensificou após a empresa mudar o tom sobre possíveis reestruturações de dívida no início do ano.

Endividamento e Pressões de Mercado Afetam Raízen

A Raízen tem enfrentado desafios decorrentes de juros elevados, safras mais fracas e investimentos vultosos que ainda não geraram o retorno esperado. Esses fatores, em conjunto, corroeram o fluxo de caixa da empresa e levaram a um aumento expressivo em seu endividamento. Ao final do último ano, a dívida líquida total da Raízen atingiu R$ 55,3 bilhões, um aumento de 43% em relação ao ano anterior. A alavancagem subiu para 5,3 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos, um salto considerável em comparação com as 3 vezes registradas no ano anterior. Os títulos da empresa, já sob pressão, despencaram após o comunicado sobre a possibilidade de reestruturação, levando agências de classificação de risco a rebaixarem significativamente seu grau de investimento para níveis de grau especulativo.