Bitcoin atinge maior preço em quase um mês, enquanto Ethereum (ETH) registra alta de 8%, impulsionados por fatores geopolíticos e forte entrada em ETFs.
O mercado de criptomoedas vive um momento de otimismo, com o Bitcoin (BTC) alcançando seu valor mais alto em aproximadamente 30 dias. O cenário é reforçado pela expressiva valorização de 8% do Ethereum (ETH), a segunda maior criptomoeda em capitalização de mercado. Esse movimento positivo é atribuído, em grande parte, a um alívio nas tensões geopolíticas, especialmente com sinais de avanço nas negociações entre o governo americano e o Irã, o que tem reativado o apetite por risco em diversos mercados.
O impulso para as criptomoedas não se restringe apenas às negociações à vista. Os ETFs (fundos negociados em bolsa), particularmente aqueles atrelados ao Ethereum, têm demonstrado um fluxo de capital robusto. Nos últimos três dias, os fundos americanos voltados para o ETH registraram entradas líquidas impressionantes de US$ 159,6 milhões, segundo dados da plataforma SoSoValue. Essa movimentação em fundos regulamentados sinaliza um interesse crescente por parte de investidores institucionais.
A recuperação observada no mercado cripto espelha um movimento mais amplo nos mercados financeiros tradicionais. Na segunda-feira (13), índices como o Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq apresentaram altas significativas, refletindo um sentimento geral de melhora. O Dow Jones subiu 0,63%, o S&P 500 avançou 1,02%, e o Nasdaq ganhou 1,23%. Essa correlação sugere que fatores macroeconômicos e geopolíticos estão influenciando tanto os ativos digitais quanto os tradicionais.
Cautela e Juros no Radar dos Investidores
Apesar do recente rali, analistas recomendam cautela. O mercado de criptomoedas, em particular, continua sendo altamente sensível a notícias e a mudanças no cenário geopolítico global. Qualquer reviravolta nessas negociações ou o surgimento de novas tensões pode impactar rapidamente o sentimento do mercado e reverter os ganhos recentes.
Além da geopolítica, a questão dos juros nos Estados Unidos permanece um ponto de atenção crucial. A divulgação da inflação ao consumidor (CPI) na semana passada revelou a maior alta mensal em quase quatro anos. Esse dado dificulta a expectativa de cortes iminentes nas taxas de juros, um fator que historicamente impacta negativamente o mercado de criptoativos.
Gil Herrara, diretor de estratégia e operações LATAM na Bitget, explica que o Bitcoin e o mercado cripto em geral tendem a sofrer em ambientes de juros altos. “O custo do dinheiro aumenta, a liquidez diminui e os investidores passam a buscar ativos mais seguros e com rendimento, o que limita o potencial de alta do BTC”, afirma Herrara. Essa dinâmica sugere que, mesmo com o otimismo atual, o cenário de juros elevados pode impor um teto para a valorização das criptomoedas no curto prazo.
Outras Criptomoedas em Destaque e Fluxo no Brasil
Outras criptomoedas importantes também apresentaram desempenho positivo. O BNB (BNB) valorizou 3,53%, negociado a US$ 618,09. O XRP (XRP) subiu 3,48%, alcançando US$ 1,37, enquanto a Solana (SOL) registrou um ganho de 5,10%, cotada a US$ 86,21. Esses movimentos indicam uma recuperação generalizada no setor.
No Brasil, o fluxo de investimento em fundos de criptoativos tem se mantido positivo. Na semana passada, esses fundos captaram US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 5,99 milhões), de acordo com a gestora CoinShares. Embora seja um valor menor que o da semana anterior, demonstra a persistência do interesse do investidor local. Atualmente, o total sob gestão nesses produtos soma US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 5,99 bilhões).
Inovações com Blockchain no Brasil
O mercado de blockchain no Brasil também tem visto inovações. A empresa Acelen Renováveis, ligada ao fundo Mubadala Capital, anunciou que utilizará a tecnologia blockchain para rastrear a macaúba, matéria-prima utilizada na produção de seu combustível sustentável de aviação (SAF). O objetivo é garantir transparência em toda a cadeia produtiva e monitorar cada lote de produção.
Outra novidade vem do setor de tokenização. A Liqi, uma tokenizadora brasileira, passou a oferecer um token que permite investimentos em imóveis de leilão nos Estados Unidos. Esses tokens representam frações de debêntures ligadas às operações imobiliárias, que movimentam cerca de US$ 25 bilhões anualmente em 31 estados americanos. Essa iniciativa democratiza o acesso a investimentos alternativos e utiliza a tecnologia por trás das criptomoedas para viabilizar novas oportunidades.
