BYD no Brasil: Como Alexandre Baldy Transforma o Jogo Político e Impulsiona Vendas de Elétricos

A Ascensão Estratégica da BYD no Brasil: O Papel Chave de Alexandre Baldy nos Bastidores Políticos

A BYD, líder mundial em veículos elétricos, tem experimentado um crescimento meteórico no Brasil, e uma figura central nessa trajetória é Alexandre Baldy. Sua expertise em articulação política e conhecimento dos meandros de Brasília têm sido cruciais para a estratégia da montadora chinesa no país.

Desde sua chegada em 2024, Baldy, que já foi ministro das Cidades e deputado federal, tem atuado como o principal interlocutor da BYD com o governo brasileiro. Sua experiência em navegar pelos corredores do poder e entender a tomada de decisões em políticas públicas é um diferencial significativo.

Essa abordagem contrastante com as barreiras encontradas em mercados como EUA e União Europeia tem rendido frutos, como o recente sucesso de vendas e a expansão da fábrica na Bahia. Conforme divulgado por veículos de imprensa, a ascensão da BYD no país tem o DNA de um executivo cuja experiência não vem da indústria automotiva, mas do trânsito junto aos círculos do poder em Brasília.

Alexandre Baldy: O Arquiteto da Conexão BYD-Brasília

Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, é a personificação da estratégia da montadora em se integrar ao cenário político e regulatório brasileiro. Com um histórico que inclui passagens como ministro das Cidades no governo Michel Temer e secretário de Transportes em São Paulo, Baldy traz uma bagagem valiosa para a gigante chinesa.

Sua atuação vai além da simples representação comercial. Baldy participa ativamente de reuniões com altas esferas do governo, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendendo publicamente os benefícios fiscais concedidos ao setor de veículos elétricos. Ele também articula nos bastidores o desenho regulatório que molda a operação da BYD no país.

A escolha de Baldy pela BYD reflete uma compreensão profunda do setor automotivo, historicamente dependente de articulações políticas, subsídios, tarifas e incentivos para moldar o ambiente competitivo. A montadora chinesa, ao contratar Baldy, buscou um tradutor experiente para a linguagem de Brasília.

Do Transporte Público aos Carros Elétricos: A Evolução da Estratégia da BYD no Brasil

Antes de focar em automóveis, a BYD já demonstrava interesse no mercado brasileiro com foco em ônibus elétricos e projetos de mobilidade urbana. Neste período, Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro, atuou como vice-presidente da BYD para a América Latina, utilizando sua experiência em trânsito com prefeituras e secretarias de transporte.

Com a mudança de foco da empresa para a indústria automotiva e política industrial, a BYD buscou um perfil diferente, encontrando em Alexandre Baldy o executivo ideal para liderar essa nova fase. Sua experiência anterior como secretário de Transportes em São Paulo, onde lidou diretamente com a BYD no contrato dos trens da Linha 17-Ouro do metrô, solidificou essa conexão.

Após sua atuação no setor público, Baldy tornou-se conselheiro especial do grupo BYD em dezembro de 2022, participando da cerimônia de inauguração da Linha 17-Ouro em março de 2026, já como executivo da montadora. Essa trajetória demonstra uma transição fluida e uma profunda familiaridade com a empresa.

Resultados Concretos: Vendas e Expansão Impulsionadas pela Articulação Política

Os resultados do trabalho de Alexandre Baldy na BYD são inegáveis. Em fevereiro, o Dolphin Mini se tornou o primeiro elétrico a liderar o ranking de vendas no varejo, com 4.810 emplacamentos. Em março, a fábrica de Camaçari, na Bahia, passou a operar em dois turnos e acertou a exportação de 100 mil veículos para Argentina e México.

Baldy descreveu os benefícios de importação de elétricos como “pactuados” com o governo, evidenciando a força da negociação. Ele relatou um encontro com o presidente Lula onde cobrou novas cotas para importar carros com alíquota zero, especialmente aqueles com produção finalizada em Camaçari.

A BYD se beneficiou da manutenção da tarifa zero sobre veículos elétricos importados até o fim de 2023, permitindo a construção de marca e base de clientes. Recentemente, obteve uma cota de US$ 463 milhões para importar kits SKD e CKD com alíquota zero por seis meses, conforme aprovado pela Câmara de Comércio Exterior.

Desafios e o Futuro da Industrialização Local da BYD

Apesar do sucesso comercial e da articulação política, a BYD ainda enfrenta o desafio de consolidar a produção local no Brasil. A fábrica de Camaçari opera em regime SKD, onde os veículos chegam parcialmente desmontados da China. Os pavimentos de estamparia, soldagem e pintura ainda estão em construção, com previsão de operação até julho.

Críticas sobre o modelo de “montar um Lego” em vez de industrializar de verdade, como expressou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltam a necessidade de um aprofundamento na manufatura local. A Anfavea também discute o modelo de produção, enfatizando os 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos gerados pelo setor automotivo.

A meta de atingir 50% de conteúdo local até 2027 será um teste crucial. Baldy afirma que a BYD já possui mais de 400 fornecedores locais homologados e que o avanço com conteúdo local é uma questão de competitividade. No entanto, a fabricação em escala industrial de componentes como baterias ainda é um gargalo. O trabalho de Baldy é garantir que Brasília conceda o tempo e as condições necessárias para que a BYD consiga, de fato, industrializar sua produção no Brasil.