Irã assume controle sobre rotas no Estreito de Ormuz, com tráfego reduzido e sistema de “pedágio” em funcionamento.
O número de navios que cruzam o Estreito de Ormuz diminuiu drasticamente, especialmente em rotas que margeiam a costa iraniana. Essa redução sugere que o Irã exerce um controle quase total sobre a passagem marítima, direcionando o tráfego por corredores específicos.
Dados de rastreamento marítimo indicam que um sistema de “pedágio”, anunciado anteriormente pelo Irã, pode estar operacional. Embarcações que utilizam a rota definida parecem estar cumprindo as novas diretrizes estabelecidas por Teerã, sinalizando uma mudança significativa na dinâmica do comércio marítimo na região.
A situação é agravada por interferências eletrônicas que afetam os sistemas de rastreamento, levando algumas embarcações a desligarem seus transponders em áreas de risco. Isso dificulta o monitoramento preciso do tráfego e aumenta a opacidade das operações, conforme informações de rastreamento marítimo.
Rota Iraniana e “Pedágio” em Evidência
Nas últimas 24 horas, apenas quatro embarcações foram registradas deixando o Golfo Pérsico. Desses navios, dois eram transportadores de gás liquefeito de petróleo e dois eram graneleiros. Todos parecem ter seguido uma rota mais ao norte, utilizando um estreito corredor entre as ilhas iranianas de Larak e Qeshm.
Essa adesão a uma rota autorizada é um forte indicativo da adoção de um sistema de controle mais rigoroso por parte do Irã. O país tem sinalizado a intenção de implementar um sistema de cobrança de taxas, com valores que podem chegar a US$ 2 milhões por viagem pela hidrovia estratégica.
Navios Operam “às Cegas” em Meio a Interferências
O tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece em níveis muito inferiores aos registrados antes do recente conflito. Apesar de países como Tailândia e Malásia afirmarem ter obtido garantias do Irã para a passagem segura de seus navios, a realidade no terreno parece ser outra.
As interferências eletrônicas contínuas na região, combinadas com o desligamento de transponders por parte de algumas embarcações em áreas consideradas de alto risco, contribuem para a redução da precisão e atualização dos dados de rastreamento. Essa prática torna a navegação mais arriscada e menos transparente.
Fluxo Reduzido e Impacto no Comércio Global
Petroleiros associados ao Irã continuam a cruzar o estreito com seus dispositivos de rastreamento desligados. Segundo a TankerTrackers.com, o fluxo médio de petróleo foi de cerca de 1,6 milhão de barris por dia nos primeiros 23 dias de março, um número drasticamente menor comparado aos 21 milhões de barris diários antes do conflito.
No sentido de saída, além dos navios de gás liquefeito com destino à Índia, dois graneleiros foram observados realizando a travessia, um com destino ao Paquistão e outro à Índia. A operação “às cegas” em áreas de maior risco pode levar a subestimações iniciais do número de travessias, com dados sendo revisados posteriormente.
