Guerra no Irã: Não é só petróleo! O conflito desorganiza tudo e dispara a inflação global

A guerra no Irã vai muito além do petróleo e já desorganiza cadeias de suprimento globais, afetando setores como tecnologia, medicamentos e agricultura. A tendência é que os impactos se agravem quanto mais o conflito se prolongar, pressionando a inflação mundial.

Embora os navios petroleiros à deriva no Golfo Pérsico sejam um símbolo visível, os efeitos econômicos da guerra se espalham para áreas menos óbvias. Agricultores americanos, fabricantes de chips na Ásia e produtores de medicamentos na Europa já sentem as consequências diretas.

O conflito gerou um choque nas cadeias de suprimento que está pressionando a economia global e elevando a inflação. Mesmo os Estados Unidos, com forte produção doméstica de energia e químicos, não estão imunes. Embora os preços da gasolina tenham subido, a situação é diferente da crise energética dos anos 70.

A situação é mais delicada para o resto do mundo. O maior impacto financeiro vem da energia, com a interrupção do acesso a cerca de 20% do petróleo global e de volumes semelhantes de gás natural liquefeito que transitam pelo Estreito de Ormuz. Desde o início do conflito, o preço do petróleo subiu cerca de 50%.

Impacto em commodities essenciais vai além da energia

A falta de insumos como ureia, fertilizante essencial, e hélio, crucial para a produção de microchips, já causa problemas relevantes. O alumínio, que já enfrentava escassez, torna-se ainda mais raro e caro com a redução da produção no Oriente Médio.

Algumas instalações no Catar, produtoras de hélio, enxofre e gás natural liquefeito, foram atingidas e podem ficar fora de operação por anos, agravando a escassez desses materiais. A percepção é que o impacto é muito mais amplo do que o foco inicial no mercado de energia.

Duração da guerra definirá o futuro da economia global

A duração do conflito é o fator determinante para o impacto final na economia global. Uma resolução rápida, em poucas semanas, elevaria a inflação, mas com efeito limitado no crescimento. Cenários mais prolongados aumentam significativamente os riscos.

Se o Irã conseguir bloquear o Estreito de Ormuz por meses e o petróleo permanecer acima de US$ 100, o crescimento global pode ser reduzido em cerca de 1 ponto percentual neste ano, segundo economistas. Regiões como Ásia e Europa estão mais expostas, pois recebem historicamente cerca de 80% do petróleo e gás que passam pelo estreito.

Ásia e Europa sofrem com escassez e restrições

Na Ásia, países como Índia já enfrentam escassez de gás para cozinhar e abastecer indústrias, com restrições de consumo industrial e até fechamento de restaurantes por falta de combustível. O Sri Lanka declarou feriados semanais para economizar energia.

Bangladesh antecipou o fechamento de universidades e o Paquistão restringiu o uso de combustíveis por empresas, demonstrando a urgência das medidas emergenciais adotadas pelos governos na região.

Setores específicos sentem a pressão: tecnologia, agricultura e medicamentos

Na indústria de tecnologia, empresas de semicondutores na Coreia do Sul e em Taiwan correm o risco de escassez de hélio, essencial para a fabricação de chips. O mercado de alumínio também é afetado, com produtores do Oriente Médio enfrentando dificuldades de exportação, elevando preços de produtos como automóveis e painéis solares.

Na agricultura, os preços da ureia subiram mais de 30% desde o início da guerra, aumentando o custo de produção para agricultores. Isso pode pressionar ainda mais os preços dos alimentos, especialmente nos Estados Unidos, onde produtores de milho já enfrentam dificuldades financeiras.

A cadeia de suprimentos de medicamentos também começa a sofrer. O Oriente Médio é um hub logístico importante para a distribuição de remédios entre Ásia e Europa. Com aeroportos fechados, empresas farmacêuticas buscam rotas alternativas, elevando custos e o risco de interrupções no fornecimento de medicamentos críticos.

Efeitos podem se intensificar nas próximas semanas

Os efeitos completos da crise ainda não se manifestaram totalmente. O transporte marítimo entre o Oriente Médio e a Ásia leva cerca de duas semanas, e o conflito começou há pouco mais de duas semanas. Isso significa que o impacto pode se intensificar nas próximas semanas, dependendo da duração do bloqueio no Estreito de Ormuz.

Mesmo com uma eventual resolução, analistas preveem mudanças duradouras nas cadeias globais de suprimento, com maior diversificação de fornecedores e menor dependência do Oriente Médio, moldando um novo cenário econômico mundial.