Trump condiciona cessar-fogo no Irã à liberação do Estreito de Ormuz, mas mobiliza tropas na região
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que só considera interromper os ataques ao Irã caso o Estreito de Ormuz seja reaberto e desobstruído. A declaração surge em meio a uma escalada de tensões na região, com troca de mísseis e bombardeios contínuos.
As falas de Trump, divulgadas em suas redes sociais, contradizem declarações anteriores onde ele indicava um desejo de sair do conflito rapidamente, independentemente de um acordo com o Irã ou da reabertura da estratégica rota marítima. Essa instabilidade nas posições americanas tem gerado incertezas nos mercados globais e na diplomacia internacional.
Enquanto o presidente americano oscila, o conflito no Oriente Médio entra em sua quinta semana com bombardeios intensificados por parte de Israel e dos EUA contra o Irã. A situação realça a fragilidade da segurança na região e o impacto econômico do bloqueio de Ormuz, afetando o fluxo de energia e commodities essenciais. Conforme informações divulgadas na Reuters e em outras fontes, a crise tem levado a incidentes como o ataque a um navio-tanque em águas do Catar, evidenciando o risco contínuo à navegação.
Irã busca cessar-fogo, mas desconfia de negociações com EUA
O Irã, por meio de seu “novo presidente do regime”, conforme se referiu Trump, manifestou desejo por um cessar-fogo com os Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, confirmou o contato direto com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mas ressaltou que isso “não significa que estamos em negociações”. Araghchi também declarou que o país está pronto para qualquer confronto e não confia em Washington, não esperando resultados de negociações.
Estreito de Ormuz: um gargalo estratégico e econômico
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito, permanece fechado efetivamente há um mês. Essa interrupção afeta não apenas o fluxo de energia, mas também de commodities essenciais como fertilizantes. Trump tem pressionado aliados para que assumam a responsabilidade pela segurança da rota, expressando frustração com a falta de participação de outros países na guerra.
Mercados reagem com volatilidade à retórica de Trump
Os comentários de Trump inicialmente impulsionaram ações e títulos, interpretados por investidores como um sinal de possível fim da crise. Os preços do petróleo chegaram a cair abaixo de US$ 100 o barril, embora tenham recuperado parte das perdas. No entanto, o petróleo permanece cerca de 40% acima dos níveis pré-guerra. O CEO do JPMorgan Chase & Co., Jamie Dimon, enfatizou a importância de eliminar permanentemente a ameaça iraniana, mesmo que isso impacte o mercado no curto prazo.
EUA intensificam presença militar na região
Apesar das declarações de possível retirada, os Estados Unidos continuam a mobilizar ativos militares na região. Um terceiro grupo de ataque de porta-aviões americano partiu da Virgínia em direção ao Oriente Médio. Trump, por sua vez, sugeriu que os EUA já atingiram objetivos militares importantes, como impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, e que uma “mudança de regime” já ocorreu após ataques que vitimaram figuras importantes do país.
Novo plano de Israel para o Líbano e vítimas da guerra
Paralelamente, Israel anunciou um plano para ocupar partes do sul do Líbano e impedir o retorno de cerca de 600 mil moradores que deixaram a região. Até o momento, a guerra já causou cerca de 4.950 mortes, com a maioria concentrada no Irã. No Líbano, mais de 1.200 pessoas morreram em conflitos com o Hezbollah, aliado iraniano.
