Investidor estrangeiro não para de comprar: de SLC Agrícola a Copel, apetite por ações brasileiras vai além de Petrobras e Vale

Investidores estrangeiros continuam a injetar bilhões na bolsa brasileira, diversificando seus portfólios para além das gigantes tradicionais.

Apesar do cenário de incertezas geopolíticas, com a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, o interesse do capital estrangeiro pela bolsa brasileira, a B3, permanece aquecido. Nos últimos cinco pregões até o dia 13 de abril, investidores internacionais adicionaram R$ 1,1 bilhão líquido ao mercado, elevando o acumulado do ano para R$ 43 bilhões.

Esse movimento demonstra a confiança do investidor global no potencial de empresas brasileiras, que agora buscam oportunidades em setores menos óbvios. A diversificação é a palavra de ordem, com um olhar atento para companhias de commodities e serviços públicos (utilities).

Um levantamento do time de pesquisa em ações do Itaú BBA revela que o interesse estrangeiro se estende a nomes como SLC Agrícola, Copel, Grupo Ultra e Copasa, mostrando uma nova fase de atração de capital para a economia brasileira, conforme informação divulgada pelo Itaú BBA.

Ações de crescimento e defensivas atraem olhares globais

Empresas como a SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de soja do país, e a Copel, companhia de energia do Paraná, têm se destacado no radar dos investidores internacionais. O Grupo Ultra, conhecido pela rede de postos Ipiranga e forte atuação em logística, e a Copasa, empresa de saneamento mineira em processo de privatização, também figuram entre os favoritos.

Os papéis dessas companhias acumulam altas expressivas no ano, superando os 18%. A SLC Agrícola, por exemplo, registra uma valorização de 23,60%, enquanto a Copel avança 18,95%. O Grupo Ultra já subiu 25%, e a Copasa apresenta ganho de 19,90%. Essa performance reflete o bom momento desses setores no mercado.

Agronegócio em alta com safra recorde

O forte interesse no setor agrícola está diretamente ligado ao período de safra no Brasil, com a colheita da soja se estendendo de fevereiro a maio. As expectativas para a safra são extremamente positivas, com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetando um volume histórico de 177,8 milhões de toneladas para a soja.

A previsão para a safra total de grãos também é animadora, com uma colheita recorde estimada em 353,4 milhões de toneladas. Esse cenário robusto para o agronegócio brasileiro é um forte atrativo para investidores estrangeiros em busca de rentabilidade.

Utilities: segurança e previsibilidade em tempos de incerteza

No segmento de utilities, as empresas são vistas como investimentos de perfil defensivo, especialmente em um contexto global de aumento nos preços de energia, influenciado pela Guerra do Irã. Companhias de serviços públicos oferecem receitas previsíveis e recorrentes no longo prazo, além de regulamentações bem estabelecidas.

Esse setor pode se beneficiar tanto do crescimento da demanda por energia quanto da necessidade de investimentos em infraestrutura de saneamento no país. A estabilidade e o potencial de crescimento de longo prazo tornam essas empresas particularmente atraentes para o capital estrangeiro.

Diversificação além das commodities e utilities

O levantamento do Itaú BBA aponta que o interesse estrangeiro não se limita a esses setores. Entre as dez primeiras empresas em destaque no indicador desenvolvido pelo banco, que considera desempenho, volume negociado, volatilidade e frequência de altas, aparecem também instituições financeiras como Caixa Seguridade e Banco do Brasil, a operadora de telecomunicações Vivo e a construtora Tenda.

Este indicador, baseado nos resultados dos últimos dois meses, reflete os ativos mais negociados por investidores globais, que têm dominado os aportes na bolsa brasileira neste ano. Em contraste, investidores individuais e institucionais locais registraram resgates líquidos de R$ 5,8 bilhões e R$ 32 bilhões, respectivamente, nos últimos dois meses e meio, segundo dados do Itaú BBA.