MBRF mantém vendas robustas no Oriente Médio, mesmo com tensões e custos logísticos elevados
A MBRF, gigante alimentícia por trás de marcas como Sadia e Perdigão, tem demonstrado **resiliência diante da escalada de tensões no Oriente Médio**. A companhia informou que suas operações na região não foram significativamente impactadas, em um cenário onde a **demanda por alimentos permanece aquecida**, mesmo com o aumento dos custos logísticos e a instabilidade geopolítica.
Segundo o CEO Miguel Gularte, uma **estratégia de posicionamento antecipado de estoques** na região foi fundamental para mitigar riscos e assegurar o fornecimento aos clientes. Essa abordagem tem garantido o consumo firme nos mercados do Oriente Médio e Norte da África, conhecidos como região Mena.
“Numa situação de incerteza, o sujeito compra comida e água. A comida nós estamos vendendo”, declarou Gularte, ressaltando a força do consumo em mercados voláteis. As informações foram divulgadas durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025, conforme apurado por esta redação.
Resultados financeiros e desafios da MBRF
No quarto trimestre de 2025, a MBRF registrou uma **receita líquida de R$ 43,9 bilhões**, um aumento de aproximadamente 6% em comparação com o mesmo período de 2024. No entanto, o **Ebitda ajustado apresentou um recuo de cerca de 9%**, totalizando R$ 3,41 bilhões. O **lucro líquido sofreu uma queda drástica de 91%**, caindo para R$ 91 milhões, ante R$ 1,12 bilhão no ano anterior, um período que foi inflado por ganhos não recorrentes.
Consolidado para o ano de 2025, a receita líquida cresceu 12%, atingindo R$ 164 bilhões. Contudo, o lucro líquido recuou 77,9%, para R$ 358 milhões. Este resultado foi impactado pelo **embargo à carne de frango** devido a casos de gripe aviária e pela **menor rentabilidade da operação nos Estados Unidos**, em função de um ciclo adverso do gado.
O resultado financeiro também foi pressionado pelo **aumento do endividamento**, influenciado pela distribuição de dividendos na fusão entre BRF e Marfrig, e pelo **ambiente de juros elevados**. “Tivemos uma queda das margens e, por outro lado, um custo financeiro maior”, explicou o CFO José Ignácio Scoseria Rey.
Perspectivas positivas para o mercado global de proteínas
Apesar dos desafios pontuais, a MBRF mantém uma **visão otimista para o mercado global de proteínas**. A companhia projeta um crescimento moderado na oferta de frango, enquanto a demanda segue forte, especialmente na China e no Oriente Médio, o que tende a **sustentar os preços internacionais**.
Para 2026, a empresa antecipa um cenário ainda desafiador nos Estados Unidos. O ciclo pecuário continua pressionando a rentabilidade da indústria, com uma oferta de gado em níveis historicamente baixos. “2026 vai continuar sendo um cenário desafiador em termos de oferta de gado”, afirmou Tim Klein, CEO da National Beef, subsidiária americana da MBRF.
Klein observa um **alívio gradual com o fechamento de capacidade por concorrentes**, mas acredita que uma recuperação mais robusta do ciclo só deve ocorrer a partir de 2027, com a normalização da oferta de gado.
