Alta do petróleo e novo imposto: como Petrobras, Prio e Brava Energia lidam com a mudança no caixa
O cenário atual do mercado de petróleo é marcado por uma forte alta do barril, impulsionada por conflitos geopolíticos, ultrapassando os US$ 100, um patamar inesperado. Em contrapartida, o governo brasileiro implementou um pacote para mitigar o impacto dessa alta nos preços internos dos combustíveis, incluindo um imposto de exportação de 12% sobre o óleo cru.
Essa nova taxação, válida inicialmente por quatro meses, visa compensar a zeragem do PIS/Cofins sobre o diesel e um auxílio financeiro para produtores e importadores. A medida gera impactos distintos nas principais petroleiras de capital aberto do país: Petrobras, Prio, Brava Energia e PetroReconcavo.
Entender como cada empresa se adapta a essa nova realidade é crucial para investidores e o mercado. A combinação de um barril de petróleo em alta e um imposto de exportação de surpresa cria um ambiente dinâmico com desafios e vantagens específicas para cada companhia. Conforme informações divulgadas, vamos analisar o impacto em cada uma delas.
Petrobras: Vantagens do Refino e Baixo Custo de Extração
A Petrobras, estatal brasileira, encontra um cenário favorável devido ao seu robusto parque de refino. A empresa aumentou os preços do diesel em suas refinarias em 11,6%, buscando aproximar os valores domésticos dos internacionais. Embora a defasagem de preços ainda persista, o custo de extração de petróleo, que é particularmente baixo na Petrobras (cerca de US$ 9 por barril), permanece o mesmo. Esse aumento nos preços de venda do diesel ajuda a compensar, em parte, o novo imposto sobre a parcela de óleo cru exportada.
O Ebitda da Petrobras no quarto trimestre de 2025, com o barril Brent entre US$ 60 e US$ 65, foi de US$ 10,9 bilhões. Mesmo antes do conflito, o barril já estava cotado a US$ 73. A Agência Internacional de Energia estima que a normalização da produção nos países árabes, que cortaram cerca de 30% de sua oferta, pode levar semanas ou meses. Essa pressão contínua sobre a oferta global favorece as petroleiras brasileiras. Somado à margem maior no refino, o cenário para a Petrobras permanece positivo, mesmo com o imposto.
Prio: Impacto Direto da Exportação Integral da Produção
A Prio, por outro lado, enfrenta um impacto mais direto do novo imposto. Como a empresa exporta toda a sua produção e não possui capacidade de refino para compensar a taxa de 12%, o Safra prevê uma redução de 15% no lucro operacional em 2026, caso o imposto se mantenha até dezembro. Essa projeção considera um preço médio do barril Brent em US$ 70, e o impacto seria menor caso o preço permaneça mais elevado.
No entanto, o momento da Prio é de expansão. A empresa acaba de iniciar a operação do novo campo de Wahoo, com capacidade para extrair 40 mil barris por dia. O Itaú BBA estima que a produção da Prio alcance 201 mil barris por dia neste ano, quase o dobro dos 106 mil barris diários de 2025. Essa expansão pode mitigar parte do efeito do imposto.
Brava Energia: Mitigação Parcial pelo Refino e Menor Exposição à Exportação
A Brava Energia exporta apenas um terço de sua produção, o que atenua o impacto do novo imposto. Analistas do Safra estimam uma redução de apenas 7% no lucro operacional da empresa em 2026. Um fator adicional que contribui para essa mitigação é o fato de a Brava operar a refinaria de Camaráo, no Rio Grande do Norte, o que permite que as margens maiores no refino de diesel compensem parte da taxação sobre exportação.
A Brava Energia é a segunda maior “junior oil” do país, com uma produção de 80 mil barris por dia em 2025. A empresa vem passando por um momento de virada, com um aumento de produção de 46% no último ano e a reversão de prejuízo para lucro. O plano é expandir a produção para 100 mil barris diários até 2027.
PetroReconcavo: Impacto Mínimo do Imposto
Para a PetroReconcavo, o impacto do novo imposto de exportação é considerado desprezível. Com foco em campos maduros e em terra no Nordeste, e uma produção de 24 mil barris por dia, a empresa possui uma escala menor e uma exposição mínima à exportação. Segundo o Safra, a taxa de 12% praticamente não afeta seus resultados.
A principal preocupação para o setor como um todo, apontam analistas do Morgan Stanley e do Bradesco BBI, não é o impacto financeiro imediato, mas o precedente regulatório criado pelo governo. Essa incerteza pode diminuir o apetite de investidores pela exploração de petróleo no Brasil. Por outro lado, a vantagem geopolítica do Brasil, por não estar em regiões de conflito, favorece as petroleiras nacionais, atraindo a busca por fontes alternativas de suprimento por países como China, Índia e Japão.
