Seguro de Navios no Estreito de Ormuz Dispara para 5% do Valor Após Ataques, Armadores Debatem Risco e EUA Lançam Plano de Resseguro

Custos de seguro para navios no Estreito de Ormuz disparam após ataques

O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial para o transporte global de petróleo e gás natural, tornou-se um ponto de atenção devido ao aumento significativo nos custos de seguro para navios que o atravessam. A preocupação com a segurança das embarcações elevou as apólices a patamares nunca antes vistos.

A situação atual reflete um cenário de alta tensão na região, onde incidentes de segurança têm se multiplicado, forçando armadores a reavaliar os riscos e os custos associados à navegação por essa via estratégica, que normalmente responde por um quinto dos embarques globais de energia.

A disponibilidade de cobertura de seguro, embora cara, ainda existe, mas a decisão final de cruzar o estreito agora recai sobre a disposição dos armadores em aceitar os riscos inerentes. As informações foram divulgadas por pessoas envolvidas no mercado de seguros, que pediram anonimato.

Custo do seguro salta para 5% do valor da embarcação

O custo para segurar navios que transitam pelo Estreito de Ormuz atingiu cerca de **5% do valor da embarcação**, um aumento expressivo em comparação com períodos de menor tensão. Fontes do mercado indicam que este valor é aproximadamente cinco vezes maior do que o observado no início de conflitos na região, afastando-se das frações de ponto percentual usualmente praticadas.

Isso significa que segurar um petroleiro avaliado em **US$ 100 milhões pode custar até US$ 5 milhões**. Apesar do alto preço, o fato de a cobertura ainda estar disponível demonstra que o mercado está buscando formas de manter a navegação ativa, mesmo diante das preocupações com a segurança.

EUA lançam programa de resseguro para garantir segurança no Estreito de Ormuz

Em resposta à crise, os Estados Unidos anunciaram um programa de **resseguro de US$ 20 bilhões** para apoiar o transporte marítimo no Estreito de Ormuz. O objetivo é oferecer garantias financeiras e incentivar seguradoras a continuar prestando serviços na região.

Um funcionário da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) informou que seguradoras demonstraram interesse em colaborar com a agência. No entanto, os detalhes específicos sobre como o plano ajudará a garantir o seguro de petroleiros ainda não foram totalmente esclarecidos.

O presidente Donald Trump destacou a importância da disposição dos navios em atravessar a rota para a retomada das operações normais, mesmo que embarcações iranianas responsáveis por minagens fossem neutralizadas. A tentativa de Trump de angariar apoio de aliados para a segurança da rota, contudo, tem enfrentado resistência.

Seguro disponível, mas com restrições e foco em determinados mercados

Até o momento, a maioria das cotações de seguro tem sido direcionada a navios com ligações com a **China, Índia ou Paquistão**. Seguradoras do mercado de Londres afirmam que a cobertura permanece acessível para embarcações no Oriente Médio, argumentando que isso não impede o fluxo de comércio na região.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido estima que pelo menos **20 navios estiveram envolvidos em incidentes de segurança** no Golfo Pérsico e áreas adjacentes desde 1º de março. O incidente mais recente ocorreu em 12 de março, quando um navio porta-contêineres foi atingido, resultando em um incêndio, evidenciando os riscos contínuos na rota.