Trump dá ultimato ao Irã: 2 dias para reabrir Hormuz ou usinas de energia serão bombardeadas, escalada na guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 48 horas para o Irã reabrir o Estreito de Hormuz, vital para o fluxo global de energia. Caso contrário, Trump ameaçou bombardear as usinas de energia iranianas.
A declaração, feita em sua rede social Truth Social, reflete a pressão para conter a alta nos preços do petróleo e aprofunda o conflito que já dura semanas.
Essa escalada retórica ocorre em meio a ataques contínuos de ambos os lados, gerando uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás, conforme divulgado por fontes jornalísticas. A situação ameaça a economia global e a segurança alimentar.
Irã responde com ameaças a infraestruturas americanas e israelenses
A resposta do Irã não tardou. Militares iranianos anunciaram que, em caso de ataque às suas infraestruturas de energia e combustíveis, mirarão toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos Estados Unidos e ao regime israelense na região. Relatos semelhantes foram publicados pela TV estatal iraniana e pela agência semioficial Tasnim.
Essa troca de ameaças indica a falta de disposição para recuar de ambos os lados. A guerra, iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro, já provocou uma crise sem precedentes no fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito.
Os fluxos de energia podem levar tempo para normalizar, mesmo após a reabertura do Estreito de Hormuz, devido aos danos em locais de produção. Além disso, bloqueios estão causando escassez de fertilizantes, elevando o risco de disrupções na produção de alimentos globalmente.
Guerra em andamento e o impacto no fornecimento global
Estados Unidos e Israel continuam a atacar alvos no Irã, enquanto Teerã responde com mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo. Mais de 4 mil pessoas morreram na região, com a maioria das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra o Hezbollah, o número de mortos ultrapassa mil. Dezenas de mortes ocorreram em Israel e em países árabes.
Os ataques iranianos contra Israel se intensificaram, com cerca de 115 feridos em cidades israelenses no último sábado, em retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz, segundo a mídia iraniana. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, descreveu a situação como uma noite difícil e pediu apoio internacional.
A nova ameaça de Trump ao Irã contrasta com declarações anteriores sobre reduzir operações militares e delegar a vigilância de Hormuz a outros países, gerando incerteza em mercados e governos. O tráfego por Hormuz, por onde passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito, praticamente parou, elevando o barril de Brent para mais de US$ 112.
Impacto econômico e a busca por soluções diplomáticas
Autoridades iranianas relutam em discutir a reabertura do estreito, focando na sobrevivência à ofensiva. No entanto, alguns países encontraram formas de manter cargas em trânsito, como a escolta de um navio-tanque indiano pelo Irã, que afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.
Até o momento, EUA e Israel evitaram atacar usinas de energia e instalações de água iranianas, após críticas a um bombardeio de depósitos de combustível em Teerã que causou chuva ácida. Israel e EUA, que inicialmente falaram em mudança de regime, agora focam em destruir capacidades nucleares e de mísseis do Irã.
O Irã possui cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural. Os ativos energéticos do Oriente Médio tornaram-se centrais no conflito, com ataques a campos de gás e instalações de gás natural liquefeito. Os preços do petróleo subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global, um risco político para Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato.
EUA buscam aliados e enfrentam resistência
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a campanha conjunta será intensificada. Isso ocorre após o Irã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia, demonstrando uma capacidade de alcance surpreendente, embora a base não tenha sofrido danos.
Os esforços de Trump para mobilizar aliados na reabertura do estreito têm sido em grande parte rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da OTAN, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação, evidenciando a complexidade da crise e a busca por resoluções em um cenário de alta tensão global.
