Raízen em Negociação Crítica: Credores Podem Assumir até 70% do Controle em Troca de Dívida Bilionária

Raízen propõe plano ousado para lidar com dívida de US$ 12,6 bilhões, incluindo potencial transferência de controle acionário para credores.

A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do Brasil, está em negociações avançadas com seus credores para reestruturar uma dívida colossal de aproximadamente US$ 12,6 bilhões. O plano apresentado inclui um período de carência de pelo menos cinco anos para o pagamento e, crucialmente, a possibilidade de os credores assumirem uma participação acionária relevante na empresa.

Fontes com conhecimento do assunto indicam que a proposta prevê a conversão de ao menos 45% da dívida em ações. Caso essa conversão se concretize e as ações sejam precificadas em torno de 40 centavos de dólar, os credores poderiam deter até 70% das ações ordinárias da Raízen. Atualmente, os papéis da empresa são negociados na faixa de 50 centavos.

Esta reestruturação visa reduzir significativamente a alavancagem da companhia, caindo de 5,3 vezes o Ebitda atual para um patamar entre 3 e 3,5 vezes. O plano também abre caminho para uma possível separação das unidades de negócio de açúcar e etanol e de distribuição de combustíveis, com prazos distintos para amortização de dívidas. As informações foram divulgadas inicialmente por veículos como O Globo e The AgriBiz.

Credores podem ter assento no Conselho de Administração

Além da participação acionária, o plano de reestruturação da Raízen pode conceder aos credores uma influência direta na gestão da companhia. A proposta prevê que os credores teriam o direito de indicar três dos sete membros do conselho de administração. Em contrapartida, a Shell, coproprietária da Raízen, indicaria os outros quatro membros.

Shell e Cosan se posicionam em meio à reestruturação

A Shell, que divide o controle da Raízen com o conglomerado brasileiro Cosan, já se comprometeu a injetar R$ 3,5 bilhões na companhia. Embora a Cosan não esteja mais em negociações para um resgate direto, seu fundador, Rubens Ometto, também concordou em aportar outros R$ 500 milhões. Ometto busca, em troca, manter a presidência do conselho e a inclusão de uma cláusula de “poison pill” (pílula de veneno).

Desafios que levaram à proposta de reestruturação

A Raízen, antes um pilar no setor de biocombustíveis, enfrenta dificuldades crescentes devido a juros elevados, safras menos produtivas e investimentos que ainda não trouxeram o retorno esperado. Esses fatores impactaram negativamente o fluxo de caixa e elevaram o endividamento da empresa, levando a rebaixamentos por agências de classificação de risco e desvalorização de seus títulos no mercado.