OPEP+ prevê efeitos duradouros no mercado de petróleo devido à guerra no Irã e danos à infraestrutura energética.
A OPEP+ emitiu um alerta contundente sobre as consequências de longo prazo da guerra no Oriente Médio para o mercado de petróleo. Segundo o grupo, mesmo após o fim dos conflitos, os danos à infraestrutura energética na região terão um impacto prolongado na oferta global.
Essa preocupação foi expressa após a aprovação de um aumento modesto nas cotas de produção para o próximo mês. O comitê ministerial de monitoramento do grupo destacou que a restauração de ativos energéticos danificados é um processo caro e demorado, o que justifica as projeções de instabilidade.
Qualquer ameaça à segurança do abastecimento, seja por meio de ataques diretos à infraestrutura ou pela interrupção de rotas de exportação, é vista como um fator que intensifica a volatilidade do mercado. Essa instabilidade, por sua vez, enfraquece os esforços da OPEP+ em manter o equilíbrio e a previsibilidade. Conforme informação divulgada pelo comitê ministerial de monitoramento do grupo, em comunicado após reunião neste domingo (5).
Aumento Simbólico e o Cenário Real da Produção
Os principais produtores, sob a liderança da Arábia Saudita e da Rússia, concordaram em elevar as metas de produção para maio em aproximadamente 206 mil barris por dia. Essa decisão foi tomada durante uma videoconferência, refletindo a complexidade do cenário atual.
No entanto, com os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico já estrangulados pela guerra no Irã, e grandes produtores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait forçados a reduzir sua oferta, a decisão do grupo assume um caráter mais simbólico. Ainda assim, pode indicar a intenção de retomar a produção assim que as hostilidades diminuírem.
Volatilidade e o Papel Crítico do Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo foram significativamente abalados por cinco semanas de conflito, chegando a quase US$ 120 por barril no mês passado. Isso ocorreu quando ativos energéticos estratégicos no Oriente Médio se tornaram alvos de ataques, e o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz.
A Agência Internacional de Energia (AIE) classificou o fechamento do Estreito de Ormuz como o cenário da maior interrupção de oferta da história do mercado. Jorge Leon, diretor de análise geopolítica da Rystad Energy, afirmou que “A verdadeira questão não é a política da OPEP+, mas sim o Estreito de Ormuz”.
Ele acrescentou que, em um mercado onde até um quinto do petróleo global passa por Ormuz, as interrupções ali superam largamente qualquer aumento incremental que o grupo possa anunciar. O Brent de referência encerrou perto de US$ 109 na sexta-feira, após promessas de escalada na guerra.
Impacto nas Exportações e a Recuperação da Oferta
Produtores do entorno do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque, já reduziram a produção de petróleo em cerca de 10 milhões de barris por dia, o que equivale a aproximadamente 10% da oferta global, segundo dados da AIE de meados de março.
Mesmo após o fim dos combates, a recuperação da produção será um processo gradual. Levará tempo para trazer navios-tanque de volta aos portos e recompor os níveis de produção. Além disso, a futura influência do Irã sobre o tráfego pelo Estreito de Ormuz permanece incerta, dado o controle considerável que o país exerce sobre a navegação.
Interrupções na Rússia e o Equilíbrio do Mercado
O mercado global de petróleo também enfrenta interrupções de oferta na Rússia. O país, membro da OPEP+, tem visto sua infraestrutura energética ser alvo de ataques ucranianos. Seus terminais de exportação de Primorsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, foram severamente danificados, adicionando outra camada de complexidade ao cenário energético global.
“O mercado está claramente desequilibrado. Isso tem impacto significativo sobre a demanda global — não apenas nos mercados de energia, mas também na economia e na oferta final”, declarou o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, reforçando a preocupação com o equilíbrio do mercado.
