Bitcoin cai para US$ 68 mil com risco geopolítico no radar, mas fluxo institucional tenta segurar o preço
O Bitcoin (BTC) ensaiou uma recuperação, chegando a ultrapassar os US$ 70 mil na segunda-feira (6). Contudo, a euforia foi breve, e a principal criptomoeda do mercado recuou para a faixa dos US$ 68 mil. O pano de fundo para essa volatilidade é a **crescente tensão geopolítica global**, um fator que tem impactado não apenas o mercado de criptoativos, mas também outras classes de ativos.
A instabilidade internacional, especialmente as movimentações no Oriente Médio, tem gerado incertezas. A possibilidade de escalada de conflitos e o impacto no fornecimento de petróleo mantêm os investidores em alerta. Essa apreensão se reflete diretamente na liquidez disponível para ativos considerados de maior risco, como o próprio Bitcoin.
Apesar dos ventos contrários, sinais de força surgem de outros setores do mercado de criptomoedas. A entrada contínua de recursos em ETFs de Bitcoin e o interesse de grandes instituições em expandir seus produtos ligados a criptoativos indicam um otimismo subjacente. Analisaremos como esses fatores contrapõem a pressão do cenário macroeconômico e geopolítico, conforme divulgado por fontes especializadas.
Geopolítica e Petróleo Elevado: O Duplo Golpe na Liquidez do Bitcoin
O cenário geopolítico tem sido o principal motor de desvalorização para o Bitcoin recentemente. A ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial, e a instabilidade no Irã elevam o preço do Brent, que opera perto de US$ 110. Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a alta do petróleo alimenta o **risco inflacionário**, reduzindo as expectativas de corte de juros e, juntamente com um dólar forte, **drena a liquidez de ativos de risco**, como o Bitcoin.
ETFs e Ações Corporativas: O Lado Construtivo do Mercado de Bitcoin
Apesar da volatilidade causada por fatores externos, o ambiente para o Bitcoin ainda apresenta pontos construtivos. Em março, os **ETFs de Bitcoin absorveram cerca de 50 mil BTC**, o ritmo mais acelerado desde outubro de 2025. Na semana passada, um único dia registrou entradas de US$ 471,3 milhões em ETFs, demonstrando um apetite renovado dos investidores institucionais. Do lado corporativo, a Strategy adicionou 44 mil BTC em suas reservas no mês passado e continua a comprar. Paralelamente, instituições como Morgan Stanley e Charles Schwab avançam na oferta de produtos relacionados a criptomoedas, sinalizando uma **aceitação crescente do Bitcoin** no mercado financeiro tradicional.
Sinais de Alerta na Posição Institucional e o Radar de Inflação
No entanto, sinais recentes indicam uma cautela crescente entre os investidores institucionais. Jasper de Maere, estrategista da Wintermute, observou que, após um período de compra e manutenção em março, a posição institucional tem se tornado neutra e agora tende a vendas líquidas, impulsionada pela persistente tensão geopolítica. Ele ressalta que o **fluxo institucional tem sido o principal pilar de sustentação do BTC** desde o início dos conflitos. Nesta semana, o mercado também aguarda o **PCE dos EUA**, indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve, a ser divulgado na quinta-feira (9). O resultado dirá se o choque recente nos preços do petróleo já começou a impactar a inflação de forma mais ampla.
Cotações das Principais Criptomoedas
Às 8h30, as principais criptomoedas apresentavam as seguintes variações:
- Bitcoin (BTC): -1,95%, US$ 68.286,62
- Ethereum (ETH): -3,08%, US$ 2.087,11
- BNB (BNB): -1,47%, US$ 596,53
- XRP (XRP): -3,40%, US$ 1,30
- Solana (SOL): -4,01%, US$ 79,18