Braskem amarga prejuízo bilionário e ações derretem com incertezas sobre o futuro da companhia
As ações da Braskem estão liderando as perdas no Ibovespa nesta sexta-feira (27), refletindo um combo de notícias negativas. A petroquímica reportou um **prejuízo bilionário** em seu balanço do quarto trimestre, além de levantar sérias dúvidas sobre a continuidade de suas operações.
O temor dos investidores se intensifica com a possibilidade de que o processo de reestruturação da empresa resulte em uma **diluição massiva dos acionistas minoritários**. Essa preocupação tem levado muitos a desembarcar dos papéis da companhia.
No fechamento do mercado, os papéis ordinários da Braskem (BRKM3) registraram uma queda de 8,91%, sendo negociados a R$ 8,18. Já as ações preferenciais (BRKM5), que compõem o Ibovespa, recuaram 11,03%, fechando a R$ 9,03. O Ibovespa, por sua vez, encerrou o dia em baixa de 0,64%.
Prejuízo e Ebitda abaixo do esperado acendem alerta
A Braskem divulgou um prejuízo trimestral de **R$ 10,3 bilhões**, um valor quase o dobro do registrado no ano anterior. Embora um resultado negativo já fosse esperado, outros indicadores do balanço apontaram para uma deterioração ainda maior da situação financeira da empresa.
O Ebitda, uma métrica importante para medir o lucro operacional antes de juros e impostos, veio abaixo das estimativas dos analistas. Este dado reforça o **cenário dramático** enfrentado pela empresa enquanto busca concluir seu processo de recuperação.
Reestruturação e o risco de diluição para minoritários
No âmbito da reestruturação financeira, a Braskem considera alternativas como a conversão de dívida em ações para fortalecer seu capital, ou uma injeção de recursos para garantir liquidez e melhores condições nas negociações. Ambas as opções, no entanto, podem levar à diluição dos acionistas minoritários, conforme apontam analistas do BTG Pactual.
A diluição ocorre quando um acionista passa a deter uma fatia menor da empresa devido à entrada de novos recursos provenientes de outros investidores. Essa é uma preocupação real para quem detém ações da Braskem.
Incerteza sobre continuidade operacional e endividamento elevado
Em comunicado junto ao balanço, a Braskem admitiu haver uma **”incerteza relevante”** sobre sua continuidade operacional durante o processo de mudança no controle acionário. A gestora IG4 já teve a transação aprovada pelo Cade para assumir o controle da companhia.
Além do prejuízo expressivo, outros dados do balanço evidenciam a urgência de soluções para manter a Braskem operante. A dívida ajustada atingiu **US$ 7,5 bilhões** no último trimestre de 2023, e a geração de caixa foi negativa em US$ 206 milhões, indicando que a empresa consumiu mais caixa do que gerou.
O endividamento da Braskem está em **15 vezes**, um índice considerado muito alto. Para se ter uma ideia, um endividamento de até 3 vezes é visto como saudável para empresas. Essa métrica demonstra o longo tempo que a companhia levaria para quitar suas dívidas com a geração de caixa atual, sinalizando a **gravidade da situação financeira**.
