Braskem em Alerta Máximo: Queima de Caixa e Dívida Exigem Reestruturação Urgente sob Nova Gestão
A Braskem, maior petroquímica do Brasil, encontra-se em uma situação financeira delicada, consumindo R$ 5,9 bilhões de seu caixa em 2025, o segundo ano consecutivo de queima de recursos. A empresa divulgou um prejuízo líquido de R$ 10,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 9,9 bilhões no ano, com um patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões.
O cenário é agravado por uma alavancagem corporativa de 14,74 vezes o Ebitda, um indicador insustentável que torna a reorganização do passivo uma prioridade absoluta. A dívida líquida atual soma R$ 41,2 bilhões, com o bruto alcançando R$ 51,8 bilhões. A situação exige medidas drásticas e imediatas para a estabilização financeira.
A resolução do impasse societário, com a saída da Novonor (ex-Odebrecht) e a iminente entrada da IG4 Capital e da Petrobras no co-controle, marca um novo capítulo. Contudo, o tempo perdido com crises anteriores, incluindo o desastre ambiental em Alagoas, cobra seu preço agora, em um momento de urgência financeira. Conforme divulgado pela companhia, a reestruturação da estrutura de capital é a prioridade máxima.
Reestruturação Iminente: Opções e Desafios Financeiros
A necessidade de uma reestruturação da dívida é inquestionável, segundo Felipe Jens, CFO da Braskem. As possibilidades incluem um desconto no valor da dívida (o chamado “haircut”), conversão de dívida em ações e venda de ativos. A expectativa do mercado é por uma combinação dessas estratégias para sanear as finanças da companhia.
A forma como essa reestruturação será conduzida ainda é uma incógnita, podendo ocorrer via recuperação extrajudicial, como a Raízen, ou judicial, seguindo os passos da Americanas e da própria Novonor. A Braskem contratou assessoria especializada desde setembro de 2025, demonstrando a seriedade e a urgência do plano.
A auditoria da KPMG registrou uma “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia”, um sinal de alerta para investidores e credores. Embora o balanço opere sob a premissa de continuidade nos próximos 12 meses, a concretização do plano de reorganização depende de fatores externos e da aprovação de terceiros.
Crise de Caixa e Liquidez Sob Pressão
A queima de caixa de R$ 5,9 bilhões em 2025 evidencia a fragilidade financeira da Braskem. A liquidez da empresa em dezembro de 2025 era de US$ 2,1 bilhões, mas US$ 1 bilhão provém de uma linha de crédito stand-by com vencimento em dezembro de 2026, indicando que metade do caixa disponível é, na prática, dívida de curto prazo.
O cenário é complicado pela situação da Braskem Idesa, sua joint venture no México. A subsidiária deixou de pagar juros de seus bonds e teve sua nota rebaixada pelas agências de risco, indicando um calote iminente. A dívida bruta da Braskem Idesa é de US$ 2,25 bilhões, com caixa de apenas US$ 35 milhões.
A Braskem Idesa negocia com detentores de seus bonds uma reorganização que pode incluir um pedido de Chapter 11, equivalente a uma recuperação judicial nos EUA. A falta de consenso até o momento adiciona mais um elemento de risco à já complexa situação da Braskem.
Perspectivas Operacionais e o Impacto do Cenário Geopolítico
O desempenho operacional da Braskem também reflete a crise. O Ebitda recorrente caiu 28% no quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 3,2 bilhões no ano, o pior resultado desde o início do ciclo de baixa da indústria petroquímica. A receita líquida recuou 9% em 2025, para R$ 70,7 bilhões.
As vendas de resinas e químicos no mercado doméstico caíram 5% em 2025, e os spreads petroquímicos, que medem a diferença entre o preço de venda e o custo das matérias-primas, apresentaram queda de 6% para resinas e 13% para químicos.
Uma rara notícia positiva surge do conflito no Oriente Médio, que tem elevado os preços do petróleo e da nafta, impactando positivamente os spreads petroquímicos. Consultorias externas projetam um aumento de quase 50% nos spreads no segundo trimestre de 2026, o que poderia, matematicamente, reduzir a alavancagem da Braskem para cerca de 3 vezes, caso o Ebitda atinja patamares históricos. Contudo, este cenário depende de fatores geopolíticos imprevisíveis e incontroláveis.
