JBS Navega em Águas Turbulentas: Lucro Recorde em 2025, Mas o Teste de 2026 Promete Ser Mais Duro
A JBS, líder mundial no setor de carnes, encerrou o ano de 2025 com números expressivos, alcançando a maior receita de sua história, estimada em US$ 86 bilhões, e um lucro líquido de US$ 2 bilhões. No entanto, o clima entre os executivos da companhia não foi de pura celebração, mas sim de um preparo estratégico para os desafios iminentes.
O início de 2026 já se mostra como um período de grande dificuldade para a indústria de carne bovina, conforme apontado por Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA. A volatilidade nos preços do gado e da carne, intensificada pela escassez de animais, gerou momentos de margem negativa entre o custo do boi e o preço da carne no atacado, uma situação descrita como inédita.
Apesar de um cenário desafiador, a JBS conseguiu surpreender o mercado no quarto trimestre de 2025. A Beef North America, divisão de carne bovina nos EUA, registrou um resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões, superando as expectativas de analistas e impulsionando o otimismo em relação às ações da empresa. Contudo, a disponibilidade de gado continua sendo um ponto de atenção, com a unidade acumulando um prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões em 2025.
Greve em Planta nos EUA Pesa no Cenário Operacional
Em paralelo aos resultados financeiros, a JBS enfrenta a maior greve em uma planta de carne bovina nos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, aderiram à paralisação em 16 de março, após o sindicato local rejeitar um acordo nacional. Esta planta é crucial para a operação da empresa nos EUA, com capacidade de abate de aproximadamente 6 mil cabeças de gado por dia, representando cerca de 5% do total processado no país.
A empresa afirma que a proposta apresentada aos trabalhadores é justa e inclui benefícios inéditos. Contudo, o CEO da JBS USA admitiu incerteza quanto à data de um possível acordo. Atualmente, a planta opera em turno parcial com funcionários que não aderiram à greve, e a JBS está redirecionando o fornecimento de gado para outras unidades, como as do Nebraska e Texas, que já operavam com capacidade reduzida devido à escassez de animais.
Brasil: Virada do Ciclo Pecuário e Modernização como Aliada
Enquanto os Estados Unidos lidam com uma escassez consolidada de gado, o Brasil inicia a virada do ciclo pecuário. Pecuaristas brasileiros estão retendo fêmeas para reconstrução de rebanhos, o que naturalmente reduz o número de animais disponíveis para abate e eleva os custos para os frigoríficos.
Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconhece a mudança no cenário brasileiro, mas destaca as diferenças estruturais em relação aos EUA. Ele aponta que a pecuária brasileira está passando por um processo de modernização acelerada, com foco em aumentar a produtividade para mitigar os efeitos do ciclo negativo. Em 2025, a Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou seu maior volume de abate histórico, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas.
Expectativas para 2026 e o Impacto do Mercado Chinês
Para 2026, a JBS projeta que a operação brasileira de carne bovina mantenha resultados semelhantes aos de 2025. Parte desse otimismo reside na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China se esgotem antes do final do ano, o que poderia aliviar a pressão sobre os preços do gado no segundo semestre.
Apesar dos desafios e da volatilidade do mercado, a JBS demonstra resiliência e capacidade de adaptação. A estratégia da empresa em diversificar operações, buscar eficiência e apostar na modernização da pecuária, tanto nos EUA quanto no Brasil, será fundamental para navegar o complexo cenário de 2026.
