Prio se prepara para distribuir dividendos pela primeira vez com otimizações em campo e corte de custos.
A Prio, maior produtora independente de petróleo do Brasil, está em vias de anunciar uma política formal de distribuição de capital aos acionistas, um marco histórico para a empresa criada há uma década. Esse movimento é impulsionado pelo ganho de produtividade esperado para 2026, consolidando uma virada na trajetória da companhia.
A empresa, conhecida por adquirir e revitalizar campos maduros antes abandonados por grandes petroleiras, vê no novo campo Wahoo e na gestão eficiente de ativos como Peregrino os pilares para essa nova fase. A estratégia de controle de custos e otimização operacional tem sido fundamental para alcançar essa meta.
Conforme informação divulgada pela companhia, o primeiro óleo do campo de Wahoo está previsto para os próximos dias, com capacidade plena de 40 mil barris por dia. A expectativa do Itaú BBA é de que a produção alcance 201 mil barris diários em 2026, reforçando o potencial de crescimento da Prio. O capex total do projeto Wahoo foi revisado para US$ 870 milhões, com um custo adicional por barril de US$ 7,1, segundo certificação da consultoria DeGolyer & MacNaughton.
Wahoo: O Novo Pilar de Produção e Eficiência da Prio
O campo de Wahoo, localizado na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, representa um passo significativo para a Prio. Após fase final de comissionamento, a conexão com o FPSO Valente, a cerca de 30 quilômetros de distância, está iminente. A produção inicial será de dois poços, com expansão planejada para os próximos meses, visando atingir a capacidade total.
A Prio construiu sua história com aquisições estratégicas de ativos como Frade (Chevron), Albacora Leste (Petrobras), Tubarão Martelo e Polvo (Dommo) e, mais recentemente, Peregrino (Equinor). Essa expertise em revitalizar campos em fim de ciclo tem sido a chave para o crescimento.
Redução Drástica no Lifting Cost Impulsiona Rentabilidade
A métrica de lifting cost, que representa o custo para produzir cada barril de petróleo, é um termômetro crucial de eficiência na indústria. A Prio tem focado em reduzir esse indicador para aumentar suas margens e resiliência frente à volatilidade do preço do petróleo.
O CEO Roberto Monteiro destacou em teleconferência com analistas a importância de manter os custos sob controle. “A melhor proteção contra a volatilidade do petróleo é manter os custos sob controle e o lifting cost baixo”, afirmou.
Peregrino: Recuperação e Cortes de Custos Exemplares
O campo de Peregrino, adquirido da Equinor, exemplifica o sucesso da estratégia de corte de custos da Prio. Após um período turbulento, com interdição do FPSO pela ANP, a Prio agiu rapidamente para destravar o ativo e antecipar a transação.
O lifting cost consolidado da companhia, que atingiu US$ 17,4 por barril no terceiro trimestre de 2025, recuou para US$ 12,5 no quarto trimestre, impulsionado pela recuperação de Peregrino. O custo operacional anual de Peregrino, que era de cerca de US$ 500 milhões sob a Equinor, já caiu para US$ 370 milhões e tem previsão de atingir US$ 250 milhões com a reativação da linha de importação de gás.
Essa redução de custos não só melhorou a eficiência, mas também permitiu estender a vida econômica do campo, adicionando 19,3 milhões de barris às reservas provadas (1P). Peregrino contribuiu significativamente para o crescimento das reservas da Prio, com cerca de 38 milhões de barris adicionados.
Nova Era: Política de Dividendos e Retorno aos Acionistas
Com uma base de produção e reservas robusta, a Prio planeja formalizar sua primeira política de remuneração aos acionistas. Tradicionalmente vista como uma empresa focada em crescimento via aquisições e reinvestimento de caixa, a Prio agora busca equilibrar expansão com retorno aos investidores.
A produção da companhia saltou de milhares para uma média recorde de 106,4 mil barris diários em 2025. Com a consolidação da escala e a diminuição da fase mais intensa de investimentos, a empresa sinalizou que a política de distribuição será divulgada antes da metade de 2026.
O parâmetro orientador será atingir uma alavancagem de cerca de uma vez a dívida líquida sobre o Ebitda até o final de 2027, considerando um preço de petróleo de US$ 60 por barril. O excedente acima desse patamar será distribuído via recompras de ações ou dividendos.
A recompra de ações já está em andamento, com o cancelamento de 3% das ações em tesouraria e a reabertura de um programa para recomprar até 10% do capital. Em janeiro e fevereiro, foram adquiridos cerca de US$ 30 milhões em ações. O CEO estimou uma distribuição em torno de US$ 400 milhões para o ano, ressaltando a cautela da companhia nos critérios de recompra.
