Raízen e credores em negociações intensas para reestruturar dívida de R$ 65 bilhões, com foco em governança.
A Raízen, importante player no setor de biocombustíveis, está imersa em negociações cruciais com seus credores para reestruturar uma dívida expressiva de R$ 65 bilhões. Após uma semana de reuniões intensas em Nova York, a companhia busca um acordo que agrade a todas as partes envolvidas.
O cerne das discussões gira em torno da influência que os credores desejam ter na gestão da empresa. Com a possibilidade de converter parte da dívida em participação acionária, eles almejam um papel mais ativo nas decisões estratégicas da Raízen.
As conversas, que ocorrem em caráter privado, envolvem a resistência dos acionistas controladores, Shell e Cosan, em se comprometerem com novos aportes financeiros substanciais. As informações foram divulgadas por fontes com conhecimento do assunto à Bloomberg, conforme apurado pelo g1.
Pressão por Mudanças na Governança e Desempenho Financeiro
Os credores demonstram um crescente desconforto com o desempenho recente da Raízen. A joint venture, estabelecida em 2011, tem enfrentado dificuldades decorrentes de juros elevados e investimentos vultosos que ainda não geraram o retorno esperado. Adicionalmente, desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol têm contribuído para resultados aquém das expectativas.
Essa pressão por alterações na governança reflete a busca dos credores por maior segurança e previsibilidade em seus investimentos. A possibilidade de se tornarem acionistas relevantes por meio da conversão de dívida em participação acionária intensifica o desejo por uma gestão mais alinhada aos seus interesses.
Shell e Cosan Resistem a Novos Aportes, Mas Já Comprometeram Recursos
Apesar da pressão, os acionistas controladores da Raízen, Shell e Cosan, têm resistido à exigência de novos e significativos aportes financeiros. No entanto, ambos já se comprometeram com investimentos durante a reestruturação.
Em março, a Shell concordou em investir R$ 3,5 bilhões, enquanto Rubens Ometto, fundador da Cosan, comprometeu R$ 500 milhões. Esses valores, embora relevantes, parecem não ser suficientes para satisfazer plenamente as demandas dos credores por garantias adicionais.
Prazo e Busca por Acordo Extrajudicial
As negociações seguem em ritmo acelerado, com as partes buscando finalizar um plano que obtenha o apoio da maioria dos detentores de títulos e bancos. Uma contraproposta dos credores é esperada para a próxima semana, embora não haja um prazo formal estabelecido. As estruturas ainda podem sofrer alterações significativas.
As partes enfrentam um prazo legal até 6 de junho para alcançar um acordo extrajudicial, o que demonstra a urgência da situação. Tanto a Raízen quanto seus credores concordam que uma solução fora dos tribunais é preferível a um pedido formal de recuperação judicial, visando proteger o fluxo de caixa da companhia durante o processo.
Contexto de Cautela no Crédito Corporativo Brasileiro
As negociações da Raízen ocorrem em um cenário de crescente cautela dos investidores em relação ao crédito corporativo brasileiro. Uma sequência de notícias negativas tem levado os mercados a uma postura mais defensiva.
Casos recentes, como as reestruturações extrajudiciais iniciadas pela rede de supermercados GPA e a busca por medida cautelar da Alliança Saúde contra credores, ilustram essa tendência. Outras empresas, como Braskem, Kora Saúde e Oncoclínicas, também avaliam medidas semelhantes, evidenciando um ambiente desafiador para o endividamento corporativo no país.
