Trump suspende ameaça de ataques ao Irã por duas semanas em busca de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz.
O presidente Donald Trump decidiu adiar por duas semanas a ameaça de realizar ataques à infraestrutura civil no Irã. A decisão ocorre em meio a avanços nas negociações em direção a um acordo de cessar-fogo, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz por parte de Teerã.
Em publicações nas redes sociais, Trump afirmou que o acordo está “condicionado à concordância da República Islâmica do Irã com a abertura COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz”. Ele declarou que concorda em suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas, classificando a medida como um “CESSAR-FOGO de mão dupla!”.
Este avanço nas negociações surgiu menos de duas horas antes do prazo final estabelecido por Trump, às 20h no horário de Nova York, para que o Irã reabrisse o estreito, sob pena de enfrentar uma série de ataques contra usinas de energia, pontes e outros alvos. Conforme informação divulgada nas redes sociais do presidente, os EUA receberam do Irã uma proposta de dez pontos, descrita como “uma base viável para negociação”.
Acordo condicionado à abertura do Estreito de Ormuz
O acordo em construção representa um momento crucial nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã. A suspensão das ameaças de ataque, anunciada por Trump, teve impacto imediato nos mercados globais. O preço do petróleo registrou queda após o anúncio, com o West Texas Intermediate recuando 11% e o Brent fechando em torno de US$ 109.
A proposta de Trump estipula que o cessar-fogo está diretamente ligado à abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz. O estreito é uma via marítima vital para o transporte de petróleo, e seu bloqueio ou restrição tem significativas implicações econômicas e geopolíticas globais. A condição imposta por Trump visa garantir a livre circulação de embarcações comerciais e de energia.
O papel do Paquistão nas negociações de cessar-fogo
A decisão de Trump de adiar os ataques e buscar um cessar-fogo parece ter sido influenciada por esforços diplomáticos de última hora. O Paquistão, em particular, desempenhou um papel ativo na tentativa de mediar um acordo. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, informou nas redes sociais que as conversas estavam “avançando de forma constante, firme e vigorosa”.
Sharif revelou que seu governo havia solicitado ao Irã que “abrisse o Estreito de Ormuz por um período correspondente de duas semanas, como gesto de boa vontade”. Essa iniciativa paquistanesa parece ter sido um fator decisivo para a mudança de postura de Trump, que anteriormente havia emitido um ultimato severo, alertando que “uma civilização inteira morrerá esta noite, sem jamais poder ser trazida de volta” caso o Irã não cedesse às suas exigências.
Incertezas e histórico de adiamentos marcam a diplomacia de Trump
Apesar do anúncio de Trump, ainda existem muitas incertezas sobre a viabilidade e os termos exatos do acordo de cessar-fogo. Não está claro até que ponto outros atores regionais, como Israel, que tem realizado ataques em coordenação com os EUA, cumprirão o entendimento. A dinâmica de negociação em torno do Estreito de Ormuz e das tensões com o Irã tem sido complexa.
Esta não é a primeira vez que Trump adia a ampliação de alvos militares para incluir infraestrutura civil iraniana. Em março, ele já havia estabelecido um prazo de cinco dias para a reabertura do estreito, posteriormente prorrogado por mais dez dias. Esse padrão de adiamentos e ultimatos levou à criação da sigla TACO, de “Trump Always Chickens Out”, refletindo uma percepção de que o presidente frequentemente recua de suas ameaças.
