Trump Pede Navios de Guerra de Aliados para Proteger Estreito de Ormuz e Ameaça Irã com Ataques Pesados

Trump convoca nações aliadas a enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, elevando a tensão com o Irã e buscando assegurar o fluxo de petróleo.

O presidente Donald Trump elevou o tom em relação ao conflito com o Irã, solicitando publicamente que outros países enviem navios de guerra para a região do Estreito de Ormuz. A intenção é garantir a passagem segura de petroleiros, uma rota crucial para o abastecimento global de energia.

As declarações de Trump surgiram após a ordem para atacar instalações militares iranianas na Ilha de Kharg, de onde o país escoa a maior parte de seu petróleo. A escalada do conflito, que já dura duas semanas, não demonstra sinais de arrefecimento, aumentando a preocupação com a estabilidade do mercado de petróleo.

Trump afirmou que as instalações atacadas na Ilha de Kharg foram “destruídas por completo”, mas ressaltou que optou por não atingir a infraestrutura petrolífera “por uma questão de decência”. Ele, no entanto, ameaçou retaliar com ataques diretos à infraestrutura de petróleo iraniana caso o Irã “tome qualquer atitude para interferir na passagem livre e segura de navios pelo Estreito de Ormuz”. Conforme informação divulgada por Trump em sua rede social, ele expressou a esperança de que países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido se juntem aos Estados Unidos com embarcações de guerra.

Conflito se intensifica e ameaça o fornecimento de petróleo

O Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do suprimento mundial de petróleo, tornou-se um ponto focal de tensão. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o estreito está fechado apenas para navios de “países inimigos”, indicando uma postura defensiva, mas também desafiadora.

A guerra, que envolve ataques mútuos entre Irã, Estados Unidos e Israel, tem levado a interrupções nas operações de importantes portos petrolíferos. Os Emirados Árabes Unidos suspenderam as operações no estratégico porto petrolífero de Fujairah, localizado logo fora do Estreito de Ormuz, após um ataque de drone seguido de um incêndio. A interrupção no carregamento de petróleo bruto e derivados em Fujairah, um hub vital que contorna Ormuz, gerou preocupação adicional nos mercados globais.

Mercado de energia em alerta com alta do preço do petróleo

A escalada do conflito impactou diretamente o preço do petróleo, que atingiu seu nível mais alto desde 2022, fechando a sexta-feira (13) a US$ 103 o barril. Países como Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuwait tiveram que reduzir sua produção de petróleo bruto devido ao fechamento de fato de Ormuz. O Catar, um dos maiores fornecedores mundiais de gás natural liquefeito, também suspendeu suas operações.

O Irã, apesar de militarmente inferior aos EUA e Israel, tem buscado semear o caos na região e nos mercados de petróleo e gás. A estratégia visa pressionar Trump a encerrar os combates, especialmente diante das críticas internas sobre o aumento dos preços da gasolina nos Estados Unidos.

Irã promete retaliação em caso de novos ataques à sua infraestrutura

Em resposta aos ataques americanos, o Irã advertiu que atacará instalações de petróleo e energia ligadas aos Estados Unidos no Oriente Médio caso sua própria infraestrutura petrolífera seja atingida. A mídia iraniana informou que todos os trabalhadores da indústria do petróleo na Ilha de Kharg estão seguros, mas o comando militar do país declarou que “todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas petrolíferas na região que sejam parcialmente de propriedade dos Estados Unidos ou que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas”.

Analistas do JPMorgan Chase alertaram que um ataque às instalações petrolíferas de Kharg “interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma retaliação severa no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”. A incerteza sobre a duração da guerra e a possibilidade de novas escaladas mantêm os mercados em alerta máximo.

Israel e EUA mantêm pressão sobre o Irã

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o ataque a Kharg e afirmou que a guerra está entrando em sua “fase de vitória”, indicando que os combates durarão “o tempo que for preciso”. Por sua vez, os militares americanos declararam ter destruído infraestruturas de armazenamento de mísseis e minas navais na Ilha de Kharg.

Nos dias anteriores aos ataques, o Irã havia acelerado suas exportações a partir de Kharg, atingindo níveis próximos ao recorde, com mais de 3 milhões de barris por dia, segundo analistas. A situação permanece tensa, com ambos os lados demonstrando pouca disposição para recuar, aumentando o risco de um conflito mais amplo na região e de novas turbulências no mercado de energia global.